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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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O NATAL É IRRITANTE
O Natal não passa de uma invenção cruel. Um teatro de afeto encenado por aqueles que, no fundo, não se suportam. Mar sabia disso. Ela sempre soube. O brinde com refrigerante barato na casa da mãe era só mais um capítulo do mesmo drama: sorrisos forçados, promessas vazias, e uma sobremesa que nunca vinha na medida certa.
Ela olhava pela janela enquanto a ceia se desmoronava em discussões familiares. Pensava nos "amigos" – ou contratos, como ela gostava de chamar. Amizade era um luxo que não se podia bancar. Contratos, por outro lado, eram limpos. Precisos. Cada um sabia o que estava em jogo. Não havia ilusões de afeto, apenas acordos: “Você faz isso, eu entrego aquilo.” Um policial corrupto ali, um entregador de informações acolá. Uma cadeia de favores que mantinha tudo em funcionamento, até o dia em que não mais funcionaria.
Porque sempre chega o momento em que as regras mudam. O sistema engasga. O jogo vira, e só os espertos, os realmente cruéis, conseguem sair sem se afogar na própria ambição. O problema? Todo mundo acha que é esperto. Mas Marcela sabia que a sombra não escolhe favoritos. Ela observa. Ela espera.
"Que cada um passe o Natal que merece", pensava, enquanto alguém na sala gritava sobre dívidas não pagas. Talvez o cara com os “homens da lei” estivesse comendo camarão fresco em algum lugar à beira-mar. Ou talvez ele estivesse sozinho, brindando com um copo vazio, tão exausto quanto qualquer outro.
Na rua, um carro passava lentamente. Os faróis rasgavam a escuridão como dentes. "A sombra não é só refúgio", ela murmurou para si mesma. "É uma fera. E, no fim, ela engole todos nós."
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