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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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SOMBRAS QUE TOCAM A ALMA: Relatos de Tormentos Espirituais
Muitas pessoas não consideram a dimensão espiritual em relacionamentos interdimensionais. Conheci o caso de um monge monástico dos séculos V que sofria com uma sensibilidade tátil intensa; ele relatava sentir a presença de seres trevosos, que o assediavam de formas que ele descrevia como degradação espiritual. Outros, sob tormento semelhante, enfrentam visões perturbadoras de natureza sexual ou ainda manifestações piores, que a ciência [e a pseudociência] classifica como obsessões. Essas obsessões frequentemente levam a impulsos compulsivos, um ciclo que, mesmo ao ser alimentado, raramente alivia o tormento. Muitos acreditam que, ao ceder a essas imagens, conseguiriam alívio, mas elas invariavelmente retornam, ainda mais fortes.
João foi testemunha de muitos desses fenômenos e aconselhou seu jovem "monge interior" a aceitar as próprias sensações, permitindo que elas se manifestassem sem resistência até o ponto em que ele suportasse. Explorando seus próprios limites, o padre relatou que a intensidade de sua sensibilidade começou a diminuir; ele percebeu que essa aceitação interna contribuía para reduzir o sofrimento. Ele costumava dizer que Cristo nos orientava a “oferecer a outra face” quando somos atingidos, mas o que realmente significa ser manso? – perguntou-me um dia.
Outro caso envolveu uma menina que sofria à noite com dores abdominais e genitais, náuseas e vômitos frequentes. Esse caso foi tratado por um conhecido, chamado "cara-manchada", um homem das zonas rurais, cuja presença discreta escondia seu papel como agente de luz, apesar de não ser reconhecido pelas Tronqueiras. Ele descobriu que a menina era assediada por um espírito durante o sono e, ao investigar casos semelhantes, encontrou várias pessoas que também viviam atormentadas por visões e sensações táteis.
Um dos casos mais impressionantes foi o de Michele, uma mulher encontrada nua e desorientada em um hospital, visivelmente atormentada por entidades trevosas. As forças que a assolavam pareciam zombar, dançando em meio às suas tentativas de paz, praticando atos de crueldade e perversão, próprios daqueles que desafiam os valores mais profundos.
Esses relatos chegaram até mim enquanto eu buscava conselhos com o Padre João. Perguntei sobre o monge que ele mencionara, e, para minha surpresa, ele revelou que falava de si mesmo. Até então, por mais que meus relatos te tivessem esclarecido, eu não soubera que ele se referia a ele próprio. João também contou que orientou cara-manchada no caso da garotinha, lembrando que muitos desses espíritos carregam ressentimentos profundos e buscam vingança, ainda presos às paixões materiais.
Essas sombras tocam a alma e podem causar desconfortos intensos, dependendo da força espiritual e da dedicação de cada um e até mesmo independe disso. Até mesmo Padre João não esteve imune a essas obsessões; ele acreditava que não se deve ceder às compulsões destrutivas, mas sim buscar a "compulsão crística" – algo difícil de alcançar tanto quanto de definir. Para mim, o que significa ser cristão muitas vezes passa por variações. Não se trata de ser perfeito, pois talvez nunca cheguemos a esse ideal. O que posso afirmar é que essas pessoas foram atormentadas por seres das trevas, que não se identificam como homens ou mulheres, pois isso parece irrelevante para eles. Eles chegam a tocar o corpo e a alma de forma cruel, deixando marcas que podem se repetir eternamente, lembrando-nos que, distantes de Cristo, somos mais vulneráveis a essas forças.
“Penso na visão de uma figura feminina que me assediava,” comentou o Padre João certa vez. Muitos cristãos cultivam certo temor à mulher, atribuindo a ela uma conduta tentadora e insensível em suas esferas espirituais. Ele dizia que é difícil confiar completamente e que para muitos é um desafio compreender essa relação com o feminino, que às vezes fere e esconde suas intenções. Esses pensamentos são dolorosos, mas ele concluía que, em essência, a luta está em reconhecer a natureza das nossas próprias sombras e, em meio a elas, encontrar o caminho de volta à luz.
Todas as noites, às 22h, faço o evangelho com minha família, e essa prática fortaleceu minha resistência contra as provocações dessas criaturas sombrias. É uma boa compulsão, um compromisso que nos conecta ao poder superior. Ter uma prática religiosa é essencial, e os rituais, talvez mais ainda, embora o tipo de ritual dependa do caráter de cada um. No gabinete, estamos nos organizando para estudar os textos católicos de São Tomé e Santo Agostinho, acompanhados pela Bíblia NVI do Novo Testamento. Mesmo assim, percebo que é preciso um ritual – as forças espirituais são reais. Estar completamente afastado da religião traz consequências difíceis de descrever; para mim, deixar de falar com uma força superior seria arriscado.
Sempre que me lembro, peço orientações a seres de dimensões mais puras. Gostaria de ter uma disposição plena para a prática de ritos, mas, em muitos lugares, devido à minha aparência diferente, não sou bem-visto. Ó Deus, fizeste da minha própria morada o teu templo, pois ainda não criaram um lugar para mim. Estou em busca de uma matriz de pensamento mais elevada.
Esse universo sombrio exige cuidado e discernimento, especialmente nos ambientes que frequentamos, pois essas influências são mais fortes do que imaginamos.
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