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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

CHIPS DE CONTROLE: condicionamento humano?

 Ó Deus dos desvalidos, Senhor Bezerra de Menezes, rogo com a alma em desalinho: removei, com vossa graça, estes negros chips de controle que os trevosos cravaram em meu peito e em minha carne, tolhendo-me de amar com a inteireza dos justos. Impedem-me de doar meu afeto até mesmo à doce Júlia, de entregar-me a alguém com verdadeira pureza. Como eu anseio por amar! Por contemplar uma mulher com olhos encantados, ouvir-lhe as palavras com atenção viva, captar-lhe o mais leve tremor na face.


Será que algum dia serei capaz de dizer “eu te amo” sem que meu coração me traia? Será que saberei o momento certo de proferi-lo? Que direito têm esses seres de corromper as virtudes que ainda brilham em nós, obscurecendo os dons que deveriam ser nossa força? Agora, por trás dos véus de meus olhos, há apenas a tristeza que me espreita, inamovível. Talvez devesse buscar o palco, fazer do teatro um confessor onde minha angústia encontre voz e desague em liberdade.


Ó Deus, em vosso eterno desvelo, deixai-me amar uma mulher de alma boa! Eu vos imploro, ajoelhado ante a vastidão de vossa compaixão. Por favor, por favor, por favor, acolhei minha súplica no silêncio de vossos mistérios.

 

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