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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

AS VOZES E AS RELIGIÕES: como chegar a boa cognição e comportamento?

 Desde que essas vozes começaram, sinto como se não tivesse mais opções. Parei de beber, parei de fumar. O único problema que permaneceu é a irritação. Tenho me dedicado ao Evangelho e à leitura de livros religiosos, mas, quando não estou bem, recorro a vídeos espíritas no YouTube. Cheguei a sonhar com seres azuis, no mesmo sonho em que vi um quarto de manicômio.


Tenho tentado, não controlar, mas aceitar bem os pensamentos que surgem. Muitos deles não parecem meus; percebo que são reflexos da esfera cultural. Dependendo do que consumimos, seja em conteúdo audiovisual ou literário, nossa mente pode se desequilibrar. Minha vida, hoje, é devotada à religião: não abro mão do Evangelho, das orações. Gostaria, inclusive, de imprimir orações para tê-las sempre à mão. Elas acalmam o coração, equilibram a mente — é algo quase mágico.


Estou tentando relaxar, e sei que, para isso, não devo temer ou esconder nada desses espíritos sombrios que, talvez, eu mesma tenha atraído. Isso me lembra a frase de Oscar Wilde: "A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder a ela." Mas nem sempre. Tomei um banho e ouvi uma oração. Preciso de uma Bíblia. Pensei em começar a ler o Livro de Mórmon durante o Evangelho. A religião é real.


Ainda assim, há textos que não consigo ler, como a Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade. Lembro-me de uma reportagem no Fantástico que mostrava uma indígena passando a mão no ori. Naquele momento, eu estava desequilibrada, mas agora entendo a agonia dela. Minha cabeça está tremendo. Em todas as religiões fala-se do ori — talvez com outros nomes, mas a essência é a mesma.


O monge é minha principal referência; ele não precisa de Nescau, apenas de meditação. Acho que, depois de escrever sobre obsessões, acabei atraindo seres das trevas. Ainda assim, não vejo a oração como um ato de controle, mas de equilíbrio, de autoconhecimento, e até de conexão com as forças do nosso sistema de crenças. Afinal, apenas 4 centímetros na lateral do cérebro podem mudar tudo.


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