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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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O MESTRE E O APRENDIZ
Aprendiz: Mestre, eu me pergunto, quando o pensamento se acelera, com diálogos e questionamentos mentais incessantes, é adequado dizer ao pensamento "pare" ou "deixe passar"? Será isso uma forma de reprimir a mente?
Mestre: Ah, jovem buscador, o pensamento é como as águas de um rio. Impedi-lo de fluir pode causar um represamento, mas deixá-lo correr sem controle também pode trazer caos. Dizer "pare" ou "deixe passar" não é em si repressão, mas depende do modo como você se relaciona com o pensamento. Quando há resistência ou negação, há repressão; quando há aceitação e observação serena, há libertação.
"A mente é como um espelho d'água. Observe os pensamentos como nuvens que passam. Não tente afastá-las, nem agarrá-las."
Mestre: Contudo, se dizes ao pensamento: "Eu reconheço tua presença, mas não preciso te seguir", não há repressão, mas uma escolha sábia de não apegar-se. Se dizes: "Esse é apenas um pensamento, ele passará como todas as coisas passam", não o empurras para a sombra, mas o liberas para seguir seu curso natural.
Aprendiz: Mestre, como posso evitar a armadilha da repressão? Que frases devo evitar para que o pensamento não seja rejeitado ou sufocado?
Mestre: Ah, meu aprendiz, frases como: "Eu não devo pensar nisso", "Isso é errado, preciso esquecer", "Não posso sentir isso", são correntes que prendem a mente. São janelas que se fecham para a luz do entendimento. Quando te recusas a sentir ou a pensar, fazes da repressão teu companheiro, e ela, como a noite, sempre retorna para assombrar o dia.
"Aquele que nega a si mesmo o direito de pensar, carrega dentro de si o peso do não dito."
Aprendiz: E, mestre, quais são as frases que devo acolher quando os pensamentos forem como ventos que não cessam?
Mestre: Acolhe, então, palavras que fluem como o vento suave entre as árvores, frases que te libertam, e não te aprisionam. Dize assim:
- "Eu reconheço este pensamento, mas escolho não me envolver com ele agora."
- "Esse é apenas um pensamento, ele passará como todas as coisas."
- "Estou presente neste momento, e é aqui que escolho estar."
- "Respiro, e o pensamento se dissolve como neblina ao amanhecer."
- "Minha mente é vasta, e este pensamento é uma pequena parte dela. Eu o observo sem apego."
Mestre: Estas são palavras de aceitação e não de combate. São a brisa que dissolve o nevoeiro e o sol que ilumina o jardim da mente. Não há repressão, há compreensão; não há negação, há clareza.
Aprendiz: Mestre, e quando a mente se defende com um diálogo incessante, como posso interromper este ciclo sem violentá-la?
Mestre: A mente, quando se debate em um diálogo contínuo, está, na verdade, buscando por descanso. Tu podes trazer-lhe paz com palavras que, como gotas de orvalho, acalmam sem forçar:
- "Ouço minha mente, mas escolho o silêncio interior."
- "Respiro fundo, e o barulho dos pensamentos se acalma."
- "Posso observar esses pensamentos, sem me perder neles."
- "Neste momento, eu sou o céu, e os pensamentos são apenas nuvens passageiras."
- "Eu me centro na quietude que sempre esteve aqui, sob o ruído da mente."
"A mente, como uma criança, muitas vezes fala sem parar. Mas se oferecemos ao silêncio o mesmo espaço, ela, por fim, repousa."
Aprendiz: Mestre, sinto que minhas perguntas são como pedras atiradas em um lago. Cada uma cria ondas de reflexão, mas encontro serenidade nas respostas. Agradeço pela sabedoria que compartilhaste.
Mestre: Meu aprendiz, lembra-te de que a sabedoria não é um fim, mas um caminho. Caminha com atenção, e saberás quando deixar passar e quando repousar na quietude do momento. As águas da mente podem ser turbulentas, mas dentro de ti, há sempre um ponto de calma, intocado pelo fluxo dos pensamentos.
"A mente é como o vasto oceano. Acima, as ondas podem ser agitadas, mas nas profundezas, sempre há paz."
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