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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

DIÁRIO SOBRE A ENERGIA PSÍQUICA E TRABALHO ALTERNATIVO

No mês passado, comecei a refletir e a pesquisar sobre como reduzir os conflitos internos entre o ego e o id, que estavam evidentes no assistido durante a intensificação da ansiedade causada pela Fluoxetina. Esse processo me levou à dissolução do eu, à luz da doutrina da cultura oriental, e à introdução do eu ao inconsciente, através de uma leitura superficial das obras da psicologia analítica, culminando na individualização — que ainda não sei se está completamente certo por isso ainda estou buscando obras.


Ao assistir ao último episódio de Cosmos: Uma Odisseia no Espaço-Tempo até os trinta e três minutos, antes de interromper por demandas pessoais, recordei as páginas sobre interpretação dos sonhos que havia lido aos dezesseis anos. Contudo, até aquele momento, não havia percebido a relevância de associar a melhoria do meu artigo sobre psicanálise, que estava excessivamente crítico e pouco empático, a uma declaração de Freud sobre a restrição do tratamento psicanalítico às democracias pobres. Após alguns dias de discussões em plataformas digitais, percebi minha ignorância em relação a uma fala de Freud que, embora considerada polêmica, carrega um significado mais profundo do que sua superficialidade sugere.


O que me veio à mente foi a questão da energia sexual. Um estudo da era pré-revolução industrial sugeria que os trabalhadores canalizavam essa energia em seu trabalho. Freud expressava preocupações sobre essa dinâmica, como observado em seu comentário sobre o serviço militar obrigatório como cura para os males da vida civilizada e a necessidade de recuperação periódica para os trabalhadores da classe média, por meio de assistência estatal — um ponto passível de múltiplas objeções.


Em um livro que marcou minha adolescência, de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, foi citado que os trabalhadores aplicavam sua energia sexual, embora sem o devido reconhecimento. Esse conceito se perdeu no tempo devido ao desdém da cultura que o reprimiu, mas permanece relevante.


Concluí, então, que a mediação e a redução do conflito interno poderiam ser alcançadas através da redireção dessa energia. É prematuro afirmar que se trata apenas da energia do corpo orgânico, psíquico ou espiritual. Reconheço minha falta de visão ao tentar separar corpo físico, psíquico e laboral; ainda é cedo para descrever um corpo único que representa energia.


Refleti sobre trabalhar a energia psíquica por meio da alquimia, considerando a transmutação da alma de carsini em ouro como um equivalente à transformação por meio de energia, em combinação com a composição de elementos. Um deles, reconheço, é o amor. No entanto, é crucial entender as propriedades de outros sentimentos para determinar quais são necessários para essa transmutação. Há quem argumente que todos os sentimentos, incluindo uma dose generosa de amor, devem ser vistos como representados pelo elemento afeto. Tudo o que afeta tem o potencial de transmutar ou provocar essa transformação, trazendo à consciência elementos sutis e quase imperceptíveis.


É essa energia que opera sutilmente em meio à confusão, como a energia escura, que trabalha em nosso benefício, mesmo que de forma discreta.


Busquei, então, fazer o ilegível. Vejo-me como um arquétipo de pirata, associado a práticas de mercados ilícitos, sem licença para navegar em águas desconhecidas. Embora tenha um submarino nuclear encalhado no gelo do Ártico, ele ainda não navega; mesmo se o fizesse, não alcançaria as águas escuras, mas talvez as profundezas onde a luz ainda possa refletir. O obscuro traz muita pressão para um corpo metálico.


Assim, busquei um livro, a um custo de 2,76 dólares com frete, para meu estudo. Não encontrei obras sobre a transmutação da alma, mas havia os livros de Sêneca que gostaria de adquirir, porém não tenho recursos suficientes, e os mercados ilícitos não oferecem trabalho o tempo todo no meu ramo. Procuro uma ocupação fora da ilegalidade acadêmica e política, já que minha atuação é acadêmica e vendo meus serviços políticos. Os serviços acadêmicos são mais caros, variando entre 72,85 dólares, enquanto os políticos custam 18,32 dólares, sendo estes últimos muito mais valorizados, especialmente em políticas acadêmicas e materiais de estudo.


Vivo nos mercados de Vera Telles, porque ninguém me contrata, nem mesmo para trabalhos simples como limpeza. Sou considerado feio ou negro, sem experiência, mas sei cuidar da minha casa. Nos serviços terapêuticos e de assistência em humanidades, cobro entre 5,69 e 6,05 dólares, mas não tenho muitos assistidos ou discípulos, sendo que a maioria é composta por pessoas que não podem trabalhar e cujas mães pagam o tratamento e os serviços. Se soubesse de advocacia, trabalharia por 91,65 dólares. Estou buscando trabalho como professor, disposto a negociar por 186.66 dólares. O fato é que preciso de recursos para desenvolver minhas pesquisas e busco alguém que me contrate.

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