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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

SISTEMA DE PREVENÇÃO

 Em 1950, começou a surgir o conceito que hoje compreendemos como inteligência artificial. No entanto, essa ideia parece ter raízes que remontam à Primeira Revolução Industrial, um período em que os trabalhadores se mobilizaram contra as máquinas, temendo que estas substituíssem seu trabalho. Para as grandes empresas, a inteligência artificial já era uma realidade, manifestando-se por meio de softwares de previsão que, através de fórmulas simples, podiam antecipar o comportamento do consumidor e avaliar sua propensão à inadimplência. Esses sistemas permitiam identificar quais consumidores eram mais suscetíveis a não pagarem suas dívidas.


Nos hospitais, já existiam softwares de previsão médica, e hoje, dentro do contexto do capitalismo vigilante, não seria surpreendente que houvesse um sistema capaz de avaliar se um cidadão é um bom investimento ou não. Mas que tipo de cidadão o estado e a economia buscam beneficiar? Talvez a resposta resida na busca incessante por conhecimento e na recusa em permanecer inativo.


É intrigante pensar que o governo pode ter acesso a informações detalhadas sobre cada lar, conhecendo a vida de todos. Mas como explicar o fato de que um adolescente como eu, que parecia ter pouco a oferecer, conseguiu ingressar em uma universidade federal? Na época, eu não tinha razões claras para ser escolhido, pois tirava notas medianas no ensino médio, dispersava a atenção nas aulas e não conseguia desenvolver redações críticas. Tudo mudou quando decidi roubar um livro de filosofia e me aprofundar em seu conteúdo, estudando palavra por palavra, reescrevendo frases e criando novos sentidos.


Foi nessa mesma época que consegui ser aprovado na faculdade, possivelmente graças ao esforço investido em jogos educacionais, noites em claro, e dedicação contínua. Eu tinha um computador que me acompanhou por um tempo, mas acabou quebrando.

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