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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

PLANEJAMOS DO ESTUDO DO PLASTTICISMO-APÁTICO E DO "EU COLETIVO": relatório e planejamento da semana

As semanas transcorreram bem. A terapia hídrica foi gradualmente suspensa e, agora, está completamente ausente, sem necessidade de compulsão para mediar as obsessões, retornando ao hábito natural de beber água de forma descompromissada. O observado apresenta resistência em tomar medicamentos, frequentemente diz sentir náuseas logo após a ingestão, o que, em algumas ocasiões, resulta em vômito. Tal também tem dificuldade para tomar banho e escovar os dentes à noite, embora execute essas tarefas com facilidade durante o dia. Considerou a possibilidade de começar a escovar os dentes antes de dormir, como um treino para depois incluir o banho noturno, algo que antes realizava com facilidade.


Há um padrão de repetição no hábito de assistir e reassistir a série Chernobyl da HBO, que antes era substituída por House, da Netflix. O observado manifestou interesse em assistir à primeira temporada de Lost. Além disso, demonstra pouco interesse em participar do grupo de estudos espíritas, possivelmente devido a uma má impressão. Também não tem frequentado as terapias em grupo, seja dos Neuróticos Anônimos ou do posto de saúde, e tampouco as palestras da igreja. Não mostrou mais curiosidade em desenvolver os estudos de sua graduação. Não o pressionamos.


A terapia do "deixar passar" já não é mais necessária, pois os pensamentos obsessivos foram reduzidos a zero. A reação às publicações de pessoas que antes tal identificava como "as vozes" que ouvia perdeu relevância, e essas vozes, que tal acreditava serem fruto de uma crença não compartilhada, desapareceram, restando apenas questões ligadas ao ego e um possível compromisso com a pesquisa da realidade.


Além da realidade do simulacro, agora consideramos a existência de uma realidade artificial, envolvendo as questões do ego e de um "eu coletivo", como o eu das nações — uma instância de traços de personalidade comuns dentro de um território nacional, com influência global. Para uma análise mais aprofundada, selecionamos os estudos da segunda e primeira tópicas de Freud, juntamente com a introdução — ou seria uma integração — do ego ao campo do inconsciente, utilizando como base o livro O Eu e o Inconsciente, 21ª edição, da editora Vozes, parte II.


Paralelamente, estamos desenvolvendo uma pesquisa sobre o plastticismo-apático, baseada no estudo histórico de Nero. A tese de Ana Lucia S. Coelho, A Metamorfose de Nero: Um Estudo da Construção da Tradição Literária sobre o Último Júlio-Cláudio e seu Principado, foi selecionada como ponto de partida, juntamente com duas obras de Sêneca: Cartas de um Estóico (três volumes da editora Montecristo) e Da Clemência. Além disso, a peça Hamlet, de Shakespeare, foi escolhida para complementar a análise do plastticismo-apático.


A questão da realidade artificial (ponto "a") e do plastticismo-apático (ponto "b") inicialmente não parece sugerir intersecção, sendo conceitos paralelos. No entanto, é possível que, em algum momento, essas linhas possam se cruzar.


A estagiária do Nautilus recentemente desenvolveu um trabalho acadêmico sobre A Invenção de Morel, de Bioy Casares, e sugeriu que incluíssemos essa obra como base para a concepção que estamos elaborando (a). O estudo do ego, embora pareça menos necessário dada a estabilidade do observado, busca harmonizar conflitos por meio da integração do inconsciente, aprofundando nossas concepções da primeira e segunda tópicas por meio de estudos. O satânico doutor Mau sugeriu que, em vez de livros, utilizássemos artigos científicos para introduzir as ideias, seguindo com a leitura dos livros posteriormente. Assim, os estudos começarão com artigos científicos, avançando depois para O Eu e o Inconsciente, de Jung — infelizmente não encontramos artigos científicos, na língua de nosso território, que tenho por bibliografia essa obra.


Infelizmente, não contamos com uma comunidade de apoio ou contato na área que possa esclarecer nossas dúvidas ou sugerir técnicas. Portanto, confiamos em nós mesmos, em mecanismos de busca científica e na vasta literatura à nossa disposição. Apesar disso, reconhecemos que a melhora perceptível do observado pode não ser fruto apenas de nossos métodos. Por isso, não generalizamos a eficácia de nossa prática para outras pessoas. Se o sucesso foi alcançado, foi graças à "magia", ao nosso pequeno esforço, atenção e carinho.

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