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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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PENSEI QUE O PROBLEMA DE INTERPRETAÇÃO FOSSE SÓ MEU: a variedade das personalidades e a variação linguística
Eu reconheço que tenho muitos privilégios. Posso dormir, acordar, ler, comer, frequentar o grupo de estudos da igreja, ir à terapia em grupo e morar em uma casa própria. Para mim, o tempo de atividade passa rapidamente. No entanto, para alguém que trabalha, cuida da casa e da família, esse tempo é escasso. Se eu tivesse acesso a mais tecnologia, poderia realizar minhas tarefas de forma mais rápida. No entanto, no tempo que tive para aprender e produzir, meus recursos tecnológicos eram limitados. Se fosse hoje, talvez meus movimentos fossem mais ágeis.
A questão é que eu posso ler o material de uma disciplina em um único dia e facilmente dedicar um dia para cada uma das três matérias. Entretanto, para alguém com muitas responsabilidades e pouco tempo livre, o tempo dedicado às atividades é insuficiente. Enquanto eu já havia terminado minhas tarefas, outras pessoas ainda estavam correndo contra o relógio para ler o material e responder às questões dissertativas. Curiosamente, essas mesmas pessoas têm melhor acesso à tecnologia, podendo adquirir os últimos avanços tecnológicos, algo que não posso fazer.
Então, qual é o verdadeiro valor? Tempo com movimentos mais lentos ou falta de tempo, mas com tecnologia de ponta? Além disso, tenho outros privilégios, como ser neto de um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial e ex-estivador do maior porto da América Latina. O tempo que desfruto hoje foi, de certa forma, concedido por um homem branco de olhos claros e cabelos ruivos – eu, negro, dos olhos negros e cabelos cacheados negros, sou obscuro –, o que pode ser visto como uma extensão do tempo dele. Minha herança não é apenas material, é tempo. Mesmo assim, não estou no mesmo ritmo das pessoas ricas; estou mais próxima de perder tempo do que de ganhar mais, mais perto de mobilizar do que de obter mais movimento.
Por isso, sinto que devo defender as pessoas que não têm tempo e recursos, porque, ao fazer isso, estou cuidando de mim mesmo em um cenário de possível perda. Ao conceder mais movimentos a elas, também ganho um pouco, mesmo que seja algo mínimo, como a ponta de uma unha. Eu não posso dizer abertamente que tenho autismo, porque as pessoas tendem a desmerecer. Então, digo que tenho Asperger, mas acredito que, na verdade, sofro de múltiplos transtornos. Escuto vozes, e isso afeta minha concentração. Preciso ler meticulosamente, parágrafo por parágrafo, para desenvolver uma opinião, e necessito que as pessoas falem claramente para que eu as compreenda. Isso não torna meus movimentos mais lentos?
De que adianta ter tempo, se minha mente não é excepcional? E mais, muitas pessoas sem tempo não têm problemas neuropsicológicos, o que lhes dá uma vantagem. O que vale ser Asperger se não sei usar "superpoderes"? O que importa ser isso ou aquilo se não consigo perceber a maldade nos outros? Tenho uma sombra debochada e, muitas vezes, dou muito espaço para ela, o que me leva a sofrer exclusão nos grupos da faculdade – por parte dos paulistanos. Além disso, minha sombra tem uma linguagem agressiva, e isso me faz ter cautela ao escrever. Ela é cruel, e você não gostaria de saber do que ela seria capaz se tivesse poder e dinheiro. Eu a chamo de Maestro, um totalitarista oculto.
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