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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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O Poder do Monstro / 怪物の力
Com apenas 60 dólares mensais destinados à compra de produtos de higiene, a autora, identificada aqui como "casco" — um termo que, mais do que uma simples classificação étnica brasileira, descreve uma condição além das categorias de cor branca ou preta —, publicou um artigo em uma revista de baixo impacto, explorando ideias profundas, mesmo com os recursos tecnológicos limitados de que dispõe.
Em suas passagens mais densas, a autora associa a ideologia a um mecanismo de controle social, explorando o Halloween como um evento mercantil que condiciona os corpos, tanto psíquicos quanto morais, dentro da sociedade. Segundo ela, a indústria cultural utiliza os personagens e símbolos do Halloween para atrofiar a conscientização, a semiótica, a imaginação e o simbolismo, com o intuito de dominar as classes sociais. O Halloween, assim, seria uma ferramenta psíquica que expõe os indivíduos à vulnerabilidade, tornando-os mais suscetíveis à imposição de identidades desejadas pelas classes dominantes, mantendo, dessa forma, sua dominação.
No entanto, a autora argumenta que as classes dominadas também possuem seus mecanismos de resistência. Elas podem, por meio de uma síntese dialógica, inverter o estigma que lhes é imposto. Por exemplo, a figura estigmatizada, usada para menosprezar, excluir e ridicularizar, pode ser apropriada como uma armadura. O autor afirma: "Sim, eu sou um monstro. De certa forma, todos somos monstros, e isso me fortalece." Ela propõe que ao aceitar e incorporar a imagem que os dominadores querem impor, os dominados podem transformar essa identidade estigmatizada em uma fonte de poder, embora reconheça que essa resposta pode não gerar o impacto desejado — tão sutil quanto uma pílula de iodo diante de Valery Legasov. Na verdade, ele observa que os dominadores podem até rir dessa inversão, já que ela pode parecer, a seus olhos, ineficaz — mas uma parte importante do artigo da estágiaria é justamente essa, de que o ego, composto pela força imaginatio que o fortalece, é vulneravel ao condicionamento das forças externas, como a mídia.
Ainda assim, a autora defende que devemos usar a estigmatização de maneira produtiva, como algo mais poderoso que a mera sublimação. Ela sugere que os dominados devem abraçar sua condição de "monstros" e encontrar força em suas raízes excluídas, resistindo à atrofia de sua imaginação que as classes dominantes tentam impor para mantê-los sob controle. Para isso, é essencial democratizar o acesso à cultura e incentivar a imaginação coletiva, de modo a evitar a dominação criativa que leva ao que a autora chama de "plastticismo-apático", uma condição em que o "eu" se torna flexível à apatia.
O texto ainda reflete sobre a necessidade de maior acesso à cultura e questiona como esse processo de estigmatização afeta a percepção e a resistência das classes dominadas. Embora a autora reconheça a fraqueza de sua própria obra, devido às limitações financeiras e tecnológicas, ela oferece uma perspectiva provocativa sobre os mecanismos de dominação e as possibilidades de enfrentamento.
INUTILE DILETTANTE. 怪物の力. Ameblo, 14 set. 2024. Disponível em: https://ameblo.jp/inutiledilettante/entry-12867749619.html. Tradução de Dinis Calixto. Acesso em: 15 set. 2024.
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