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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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O LEGADO DE LUTERO E O FUTURO DA EDUCAÇÃO: um olhar crítico
"Nesta conjuntura, escolheria o que agrada a Deus, e, ao que parece, a verdadeira gratidão divina reside no cuidado integral do ser humano. Se a vida monástica já não oferece as oportunidades de carreira de outrora, buscar-se-ia uma formação alternativa no comércio — embora instável, é também potencialmente mais rentável. Entretanto, imaginemos que a estrutura educacional, tal como a entendemos hoje, esteja em declínio, substituída por uma educação domiciliar que é, em essência, menos estruturada. A formação acadêmica reconhecida exige a vinculação a instituições legitimadas pelo Estado, e a queda desse sistema poderia, em teoria, levar à decadência da educação formal".
Estamos confortavelmente seguros em nossa realidade atual, sem refletir adequadamente sobre as possíveis implicações de um colapso das instituições educacionais. Qual será a durabilidade da educação tal como a conhecemos? A queda viria de um governo progressista ou conservador? E como está a situação da educação em países como a Argentina? Esse é um problema sério e complexo.
É curioso como os materiais educacionais estão amplamente disponíveis, mas ainda assim o acesso é limitado e, mesmo quando acessível, frequentemente não promove mudanças significativas. Suspeito que, mesmo com uma proposta de universalização do acesso digital no Brasil — computadores em todos os lares, tablets e internet para todas as regiões, até os rincões mais remotos como Juquia, e bibliotecas públicas equipadas com tecnologia de ponta e inteligência artificial —, ainda assim não veríamos uma transformação substancial na educação ou na consciência coletiva.
Lutero, ao disponibilizar o Livro Sagrado para todos na Alemanha, pretendia fomentar a reflexão e o desenvolvimento tanto do governo secular quanto espiritual. No entanto, não houve uma mudança significativa na interação com os textos sagrados. Por que isso ocorre? Existe uma coesão que impede a verdadeira transformação.
Lutero nos deixou uma lição valiosa: não restringir o acesso ao conhecimento não é suficiente para provocar mudanças profundas, pois a verdadeira conexão com o conhecimento e com os textos é frequentemente perdida. A interação com o material educacional não deve ser meramente mecânica ou dominadora; deve ser uma conversa profunda, que permite uma verdadeira relação, troca e ligação com o texto — deixando-se refletir na obra já é o primeiro passo. O que distingue o ensino excepcional do ensino comum é essa "fragância" da interação genuína, que vai além da mera transmissão de informações. É isso que Lutero buscava e que ainda buscamos: uma conexão verdadeira e significativa com o conhecimento, que transforma e eleva a alma.
"Não admira que o diabo queira convencer os corações mundanos a descuidarem dos filhos e da juventude."Aqui, Martin Lutero expressa surpresa de que o diabo, uma entidade considerada a personificação do mal, se empenhe em desviar a atenção das pessoas em relação ao cuidado e educação dos jovens. A ideia é que o diabo tem interesse em que a juventude não receba uma educação adequada ou não seja bem cuidada, o que serviria a seus próprios objetivos malignos.
Essa personificação do mal quer que você esteja cada vez mais ignorante sobre tudo; curiosamente, ele se parece com o capital, com o mercado mundial, com a divisão econômica. Acontece que essa personificação do mal percebeu que não só da ignorância se estabelece o reino do caos, pois há muitas mentes sábias envolvidas com o caos e sendo instrumentos dessas entidades ou estados monetários. As armas de violência estão mais sofisticadas, tanto linguisticamente quanto simbolicamente. A força da destruição poderia fazer com que todos fossem sábios e prósperos e, ainda assim, haveria meios sofisticados de condicionar os corpos.
"Como o diabo poderia aceitar ou até incentivar que se eduque a juventude corretamente?"
O texto questiona a lógica de o diabo aceitar ou até apoiar uma educação correta e espiritual para os jovens. Se a educação espiritual e moral estivesse de acordo com os princípios de Deus, isso iria contra os interesses do diabo, que busca a destruição espiritual.
E essa destruição espiritual está quase efetiva; as pessoas não têm mais uma atividade religiosa.
Na época em que os cristãos educavam seus filhos com princípios cristãos e os enviavam para as escolas — essa é uma cocepção e parafrase de Martin Lutero —, o diabo agiu com grande astúcia. Muitos jovens estavam conseguindo escapar de sua influência e estavam prestes a transformar seu domínio de maneira inaceitável para ele. Para enfrentar essa situação, o diabo interveio e lançou suas armadilhas. Ele fundou conventos, escolas e estados, tornando quase impossível para um jovem escapar de sua influência sem um milagre especial de Deus.
No entanto, ao notar que essas armadilhas estavam sendo desfeitas pela Palavra de Deus — id. es. a publicação da tradução luterana —, o diabo mudou sua abordagem e passou a promover a ignorância — id. es. o declínio do governo critão codicionou os pais a não enviarem mais seus filhos para a escola, pois não viam um sucesso para a carreira religiosa —. Agora, ele prefere que nada seja estudado — id. es. ninguém é mais extimulado a ir à escola —, garantindo que a juventude permaneça sob seu controle — id. es. da ignorancia —. Dessa forma, ele preserva seu domínio e mantém o controle sobre o mundo.
Para realmente causar um impacto que o diabo perceba, é necessário que a juventude se eduque no conhecimento de Deus, divulgue e ensine a Palavra de Deus a outros. Somente dessa maneira é possível prejudicar efetivamente o domínio do diabo — id. es. diabo, a personificação do mal, está no sentido de ignorancia.
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