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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

NEM DISSOLUÇÃO, NEM INTEGRAÇÃO, MAS INDIVIDUAÇÃO: em busca do si-mesmo

 Após reduzir a frequência e a aparição dos pensamentos obsessivos por meio da terapia hídrica e do mantra mental “deixa passar” como uma compulsão cognitiva para lidar com a intrusividade dos pensamentos, observei um aumento do conflito do ego com conteúdos inconscientes. Busquei na literatura esotérica ideias sobre a dissolução do ego, conforme algumas tradições orientais sugerem para redução de tal conflito e dor — mas precisamos da dor —, mas percebi que isso poderia gerar uma perda de senso e controle da realidade. 

Por isso, continuei pesquisando em outras fontes através de um mecanismo de busca, que me indicou a possibilidade de integrar o ego ao inconsciente. No entanto, o observado teve um sonho em que mais uma vez se via em conflito com um membro da família, desta vez em um baile de favela. Nesse sonho, ele acabava matando várias pessoas da comunidade e um de seus primos de segundo grau, que estava presente no evento.

No sonho, ele dizia que tinha dinheiro e poderia contratar um bom advogado, o que o levaria a crer que poderia matar quem quisesse. Em seguida, ele assassinava o cônjuge de seu primo, e essa pessoa avançava contra ele em uma moto, tentando acertar sua perna direita, sem sucesso. Ele conseguia desviar de todos os objetos que seu primo lhe arremessava e, curiosamente, parecia estar ao mesmo tempo no baile de favela e em um interclasse do colegial, onde também conflitava com os colegas de turma. No fim, após aterrorizar tanto a comunidade quanto a instituição, ele acabava sendo morto com um tiro no olho direito. 


Esse sonho me fez perceber que, embora os conflitos em vigília tenham diminuído, eles continuam a se manifestar durante o sono. Portanto, os conflitos não se extinguiram, mas apenas se tornaram inconscientes, surgindo durante o sono, ainda que não todas as noites. Ao estudar um trecho do livro O Eu e o Inconsciente, concluo que a integração do ego ao inconsciente é, na verdade, uma condição patológica. Para diminuir esse conflito, é necessário buscar a individuação. Para leitores mais atentos, isso já estava claro, mas agora afirmo: tentarei desenvolver a técnica da imaginação ativa para harmonizar a relação do ego com os conteúdos inconscientes. Lembrando, o objetivo e a busca é pela harmonização da relação ego e inconsciente, ou seja, tentar diminuir o conflito — embora, pelo que se observa, há dias que não há tanto desta necessidade.


Tirando a meta de redução de conflitos psíquicos, o observando não está tendo uma vida produtiva durante o dia, pois entra em conflito com o som da televisão como também os barulhos de pés, ranger de talheres, embora sejam pontos que precisam ser enfrentados. Tudo exige um sacrifício. Ninguém diria que seria fácil. Mas há uma saída, ele conclui, acordar mais cedo. Seguimos observando. 

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