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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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ISOLAMENTO PSÍQUICO E VIOLÊNCIA MENTAL: rumo ao plastticismo-apático
A segregação psíquica, esse sinistro fenômeno de alienação e exílio mental, revela-se como um fracionamento devastador da alma, um ciclo interminável de isolamento que distancia as consciências entre os confins sociais e subjetivos. Em sua ousadia teórica — “Linhas de progresso na terapia psicanalítica" ou "Caminhos da técnica psicanalítica" —, Freud delineia a terapia para as massas como uma mescla do ouro puro da psicanálise com o simples cobre da sugestão direta. No entanto, essa analogia freudiana não deve ser interpretada como uma prescrição de que a psicanálise seja um privilégio para os ricos e uma concessão rudimentar para os pobres. Em vez disso, ela reflete a carência de políticas de saúde mental mais sofisticadas e democráticas. A joia rara da psicanálise, quando reservada para os poucos, contrasta com o acesso limitado e precário oferecido aos muitos, perpetuando uma divisão entre os favorecidos e os marginalizados. Surge, assim, um abismo, uma linha de demarcação entre os que têm acesso ao esplendor da psicanálise e aqueles que permanecem à margem, engendrando a segregação das almas deslocadas, denominadas aqui como carsini — almas errantes, eternamente relegadas à periferia do suporte psicológico.
Este enigma nebuloso, no qual se entrelaçam as sombras do bem-estar mental e emocional, confina a expansão da psique, perpetuando um ciclo vicioso de marginalização. É uma existência ensombrada, onde as políticas de proteção e os mecanismos estatais, ao invés de oferecer amparo, acentuam a vulnerabilidade das vítimas. A voz de Elizabeth Danto poderá, talvez, esclarecer as nuances deste cenário de desolação.
No domínio da violência psíquica perpetuada pelo governo, a legislação destinada à proteção das mulheres configura-se como uma fachada para a negligência sistemática. Análises provenientes de fontes audiovisuais online evidenciam casos de flagrante desamparo, revelando a profundidade da ineficácia das políticas públicas. Nestes relatos, observa-se que mulheres vítimas de agressão, que também carregam a responsabilidade pelo cuidado de filhos e familiares idosos, são abandonadas à mercê das ameaças de seus agressores. As medidas protetivas existentes revelam-se inadequadas, e os abrigos destinados a vítimas de violência frequentemente não aceitam familiares maiores de idade com deficiência, expondo as vítimas a uma situação de vulnerabilidade extrema.
A violência invisível manifesta-se na falta de vontade governamental em prover uma defesa eficaz às mulheres. Os mecanismos de proteção, ao invés de amparar as vítimas, parecem estar mais inclinados a proteger o agressor, perpetuando a dor e o sofrimento. Este cenário é um exemplo sombrio de assédio psíquico, um ataque sutil à integridade da psique da vítima, refletido na ineficácia das políticas governamentais.
No vácuo de uma psicoterapia não democratizada, desdobra-se o plastticismo-apático, um estado onde a personalidade se torna um objeto plástico e apático, conforme sugere a própria denominação. A gênese do plastticismo-apático revela-se na jornada de Casco, um laborioso habitante das margens da metrópole paulistana. Sua viagem diária, entre ônibus e metrô, é um rito de passagem através de um ambiente desumano, onde desvalorização e violência linguística se entrelaçam. O trabalhador, afogado na precariedade, testemunha a negligência brutal dos sistemas de transporte e das condições laborais, uma jornada marcada pela escassez e pelo desprezo.
Casco, homem fora do catalogo de cor que não se encaixa nas categorias raciais estabelecidas, enfrenta o desprezo e a indiferença da sociedade e do governo. Sua luta para sustentar um governo indiferente culmina em uma violência psíquica, um assédio que penetra as camadas mais sutis da psique. Os prenúncios do plastticismo-apático revelam-se nas atitudes dos demais passageiros, que assistem à violência sexual no metrô com uma indiferença quase absoluta, capturando o horror em suas câmeras sem qualquer intento de intervenção.
A maternidade, cruelmente entrelaçada com a indiferença, vê uma mulher forçada pelas leis a trazer ao mundo um filho não desejado. A criança, uma vida vulnerável, é abandonada nas ruas desertas, exposta ao frio e às ameaças microbiológicas. Os olhos maternais não refletem ternura, mas uma indiferença desoladora, como se o recém-nascido fosse meramente um resíduo, um objeto descartável.
A segregação psíquica, em sua essência, manifesta-se como um assédio psíquico que engendra o plastticismo-apático. Este estado de personalidade, moldado pela revolta e pela desigualdade social, é um produto da divisão absurda das classes e da ausência de políticas públicas eficazes. O assédio psíquico, uma ferramenta de controle das grandes corporações e do poder estatal, encontra sua origem na escassez de clínicas públicas de psicoterapia e na falência de um potencial — fora do medíocre — do tratamento biopsicossocial.
Para evitar o aumento do plastticismo-apático e do assédio psíquico, é imperativo que o governo estabeleça clínicas públicas de psicoterapia. Cada alma deve ter acesso a sessões individuais de da melhor abordagem, uma vez por semana ou conforme a necessidade, para garantir que o bem-estar social e o bem-comum não sejam reduzidos a um mero conceito abstrato. Sem essa intervenção, a violência e a desigualdade social só tendem a crescer, deixando o bem-estar social dependente do reconhecimento público da importância dessas clínicas.
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