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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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DIÁRIO DO OBSERVADOR XII
Durante a semana, o observado travou uma batalha silenciosa contra seu relógio biológico, tentando desesperadamente regulá-lo. Porém, foi traiçoeiramente sabotado por sua própria mente, que, num último ato de lealdade oculta, o entregou ao sono, como ele mesmo relatou. Levantar às dez para ler o evangelho, uma tradição familiar, já não provoca tanta resistência. O hábito de tomar seus medicamentos, antes uma luta diária, tornou-se um fardo menor ao perceber que engolir todos os comprimidos de uma vez alivia a relutância que antes sentia ao tomar cada um separadamente, respeitando os intervalos entre os grupos de fármacos.
Apesar disso, o observado dedica-se intensamente à leitura de textos acadêmicos, enquanto o livro da história do evangelho, presente de seu primo de dez anos, permanece quase intocado. Com fervor, realiza as atividades da faculdade, canalizando sua criatividade na elaboração de textos e slides. Contudo, uma profunda relutância o afasta do grupo de estudo do evangelho na igreja. Ele não se sente acolhido ali. Já se passaram cinco semanas desde a última vez que compareceu ao Neuróticos Anônimos, e três semanas desde que abandonou a terapia em grupo no posto de saúde, julgando as perguntas do grupo terapêutico invasivas demais.
Os pensamentos obsessivos que costumavam dominá-lo são agora substituídos por devaneios sobre seu futuro como professor. Na imaginação, ensaia situações hipotéticas, ponderando as melhores respostas e gestos. Vê-se chamando seus alunos para elevar-lhes a autoestima, até pensa em levar um kit para pentear seus cabelos desarrumados durante o recreio – imagina prestar cuidados. Embora tais cenas possam nunca se materializar, revelam o processo interno de construção de um papel que se assemelha ao de mãe/pai para si mesmo. A simples ação de voltar a tomar os comprimidos é um sinal sutil dessa jornada de autocuidado – caminho a autonomia e a diminuição dos fármacos psicopatológicos, tudo isso é o esforço cotidiano.
Ele projeta seu futuro com os alunos, imaginando maneiras de mantê-los entretidos e atentos, uma preocupação que não o assusta. Diferente das professoras que ouviu no passado, que se recusavam a educar as crianças por julgarem ser essa a função dos pais, o observado considera tal postura uma ignorância. Para ele, a escola tem o dever de tentar moldar o cidadão do futuro. Essa convicção o anima, ele sente-se capaz de enfrentar qualquer desafio para assumir esse papel – um ensaio psíquico para a vida adulta funcional a partir da autonomia biopsiquico e financeira, o trabalho liberta o sujeito de suas próprias âncoras, o dinheiro impulsiona o desenvolvimento de quem está determinado a [morrer] mudar. No fundo, creio que essa nova personalidade que agora emerge, focada no cuidado próprio e dos outros, já estava latente, apenas esperando para vir à tona – me parece um comprometimento com a sociedade e uma constituição de uma função social, por trás disso, o observado quer mudar de vida, quer assumir um bem-estar e uma funcionalidade cívica.
O observado já demonstrou tal aptidão ao auxiliar deficientes físicos, visuais e idosos. Acredito que teria sido um excelente cuidador se tivesse seguido esse caminho. Porém, acima de tudo, espero que ele consiga cuidar de si mesmo no futuro. Estou torcendo por isso.
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