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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

BUROCRACIAS DO TRATAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA

 Um dos grandes problemas na cultura humanitária dos países de língua latina é a falta de zelo adequado pelo cuidado dos enfermos, especialmente no sistema público de saúde. A abordagem predominante muitas vezes ignora a emergência da condição do paciente, e os tratamentos são administrados sem a devida atenção à gravidade ou à dor imediata. Em vez de receber um atendimento rápido e especializado, o paciente é obrigado a aguardar o agendamento, muitas vezes prolongado, o que agrava seu sofrimento. No sistema público, o paciente muitas vezes é tratado de forma desumanizada, recebendo medicamentos de baixa qualidade, como se fosse um número e não uma pessoa com necessidades urgentes.


No caso do paciente observado, é evidente que ele não está recebendo o tratamento adequado. Devido à minha limitação em formação científica formal, não posso oferecer uma assistência médica completa, mas dentro das minhas condições, tento fazer o possível para amenizar seu sofrimento. Entretanto, os recursos são limitados, e não há uma democratização do conhecimento ou uma cultura de compartilhamento de estudos de caso que possam enriquecer as práticas. As informações que chegam a quem atua voluntariamente em terapias não-científica, por exemplo, são muitas vezes fragmentadas, baseadas em livros difíceis de acessar, ou adquiridas por meio de longos processos burocráticos, como a espera por locações em bibliotecas universitárias ou o acesso restrito a periódicos acadêmicos.


O paciente em questão submeteu uma documentação ao Departamento Regional de Saúde (DRS), que o encaminhou ao Núcleo de Assistência Farmacêutica (NAF) para tentar substituir a risperidona, um antipsicótico que causa efeitos colaterais graves, pelo aripiprazol, uma alternativa menos agressiva. Apesar disso, o paciente continua sofrendo com dores abdominais, dificuldade para comer e náuseas constantes, mesmo com o uso de omeprazol, prescrito para proteger o estômago. Há queixas recorrentes de vontade de vomitar após as refeições, e em alguns casos, ele de fato vomita. Isso levanta a suspeita inicial de que esses sintomas possam ser agravados por outros medicamentos, como a fluoxetina, que ele suspendeu após o primeiro episódio de vômito, embora os sintomas tenham persistido — obviamente por não poder suspender a risperidona, devido a intensificação dos sintomas psicóticos.


A falta de resposta adequada do DRS e do NAF ao sofrimento causado pelos efeitos colaterais dos medicamentos é alarmante. Esses órgãos parecem desconsiderar a urgência da situação, deixando o paciente vulnerável à dor e à dificuldades. Além disso, a substituição da risperidona por aripiprazol é retardada pela burocracia, com a NAF exigindo um relatório médico detalhado justificando a mudança de medicação. O problema é agravado pela dificuldade em agendar consultas com o psiquiatra no sistema público, que só estão disponíveis a cada três meses, e há uma resistência a encaixes para atendimentos emergenciais.


Diante dessa situação, o paciente cogita desmamar os medicamentos e ficar apenas com o lítio, uma escolha que considero arriscada. O lítio, embora eficaz em alguns casos, pode causar tremores, interferir com a função da tireoide e, se não administrado corretamente, pode levar a intoxicações graves, exigindo acompanhamento rigoroso com exames periódicos. Além disso, o uso prolongado de lítio pode comprometer o funcionamento dos rins, levando à necessidade de tratamentos como hemodiálise.


A interrupção repentina de medicamentos como a risperidona pode trazer riscos ainda maiores. O paciente já experimentou um agravamento acentuado dos sintomas após a suspensão abrupta, com os efeitos adversos retornando em questão de dias. A depender do organismo, os sintomas podem reaparecer mais rápido em alguns pacientes do que em outros, o que demonstra a importância de um acompanhamento médico constante e cuidadoso.


É importante destacar que o uso prolongado e a combinação de múltiplos medicamentos elevam os níveis de estresse no paciente, o que pode agravar sua instabilidade emocional e aumentar a ansiedade e a depressão. Infelizmente, muitos pacientes no sistema público, especialmente os de baixa renda, não têm acesso a tratamentos complementares, como psicoterapia, que poderiam ajudar a equilibrar a necessidade massivo dos fármacos. No caso do paciente observado, ele passou mais de dois anos em uma lista de espera para receber atendimento psicoterapêutico e, mesmo assim, esse tratamento já foi concluído, deixando-o sem suporte contínuo.


Atualmente, o paciente está sob observação e usando medicamentos de baixa qualidade, uma realidade enfrentada por muitos que dependem do sistema público de saúde. Isso levanta questões sobre a justiça e a equidade no acesso a tratamentos adequados, e como a burocracia e a negligência institucional podem prolongar o sofrimento de indivíduos vulneráveis.

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