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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

BIOY CASARES: passagens do desconhecido

 1. Página 34-35: "Essa possibilidade me horrorizou (como se tivesse corrido o risco de tocar um fantasma). Naquele seu prescindir de mim havia algo muito estranho."


Este trecho revela um desconforto do narrador com uma presença estranha, comparando-a ao toque de um fantasma, sugerindo uma sensação de irrealidade ou algo desconhecido.



2. Página 46-49: "Com lentidão na minha consciência, pontuais na realidade, as palavras e os movimentos de Faustine e do barbudo coincidiram com as suas palavras e os seus movimentos de havia oito dias. O atroz eterno retorno."


O protagonista começa a perceber uma repetição estranha e inexplicável dos eventos ao seu redor, evocando uma sensação de mistério e algo além do comum.



3. Página 63-64: "Ocorreu-me (precariamente) que talvez se tratasse de seres de outra natureza, de outro planeta... Quinta hipótese: os intrusos seriam um grupo de amigos mortos; eu, um viajante, como Dante ou Swedenborg, ou senão outro morto..."


Aqui, o narrador especula sobre a natureza desconhecida dos intrusos, imaginando se são seres de outro planeta ou fantasmas, intensificando o mistério e a presença do desconhecido.


4. Página 63-64: "Ocorreu-me (precariamente) que talvez se tratasse de seres de outra natureza, de outro planeta... Quinta hipótese: os intrusos seriam um grupo de amigos mortos; eu, um viajante, como Dante ou Swedenborg, ou senão outro morto..."


Este trecho expressa as especulações do narrador sobre a natureza desconhecida dos intrusos, imaginando-os como seres de outro planeta ou fantasmas.



5. Página 111: "Os emissores vegetais — folhas, flores — morreram após cinco ou seis horas; as rãs, depois de quinze... Pressentia horríveis transformações na mão."


O narrador descreve uma estranha sensação de transformação em sua mão, evocando uma sensação de estranhamento e medo do desconhecido.



6. Página 118-119: "Talvez Morel nunca se tenha referido a Faustine em seu discurso; talvez estivesse apaixonado por Irene, por Dora ou pela velha... Estou exaltado, sou idiota. Morel ignora todas elas."


Aqui, o protagonista questiona a realidade e as intenções de Morel, mergulhando em um estranho mundo de suposições e incertezas sobre o que realmente está acontecendo.

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