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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

A BAGUNÇA QUE ESTÁ NO SEU QUARTO TAMBÉM ESTÁ NO SEU CORAÇÃO

 Não estou me sentindo bem, sinto uma pressão na cabeça, provavelmente causada pelo barulho incessante e pela frustração que a tecnologia, propositalmente lenta para os menos afortunados, me traz. É muita informação de uma vez. Uma tia chata reclama de tudo, batendo sua chinela irritante; a televisão despeja informações desconexas, como um turbilhão de palavras que não fazem sentido nem chegam a lugar algum. Tudo isso me esgota, me impede de produzir algo, me trava. Já é a terceira vez que começo a ler o livro sobre educação liberal e neoliberal, mas não consigo compreender, pois a inquietação do dia rouba minha concentração, me arranca de mim mesmo. Não é apenas o problema dos pensamentos interrompidos, mas também a sensação de estar com as defesas à flor da pele, em meio a um conflito interno constante. Apesar de já ter uma solução para o trabalho, não consigo organizar minhas demandas pessoais: o estudo de Lutero, de Nero, da individuação junguiana, a leitura de Sêneca e de Bioy Casares. Não consigo me conectar com esses conteúdos; me sinto exausto, como se uma bomba prestes a explodir estivesse dentro da minha cabeça.


Antes, eu produzia melhor durante a madrugada. Agora, as tardes, com a casa cheia, me corrompem. Acho que vou ter que abandonar temporariamente esses materiais e lê-los de forma descompromissada quando tiver mais tempo. Por enquanto, preciso focar integralmente na leitura e compreensão do material da faculdade. Não posso começar outra coisa sem antes entender essa parte.


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