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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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PASSAGENS DO LIVRO QUE ME INSTIGARAM
Ninguém coloca reservas, é certo, ao facto de se dever ensinar as coisas úteis absolutamente indispensáveis ("), embora não todas. Sendo distintas as tarefas próprias dos homens livres e as tarefas dos não livres, é evidente que importa realizar tarefas que não aviltem os que delas se ocupam. E devemos considerar aviltantes todas as tarefas, artes e disci- plinas que não preparam o corpo, a alma, e a mente do homem livre, para o exercício e a prática da virtude. É por isso que chamamos aviltantes os oficios que debilitam o corpo, tais como as actividades assalariadas que mantêm a mente presa e degradada ("). Há ainda uns tantos estudos liberais de que os homens livres se podem ocupar em certa medida, já que um estudo demasiado intensivo desses saberes provocaria os efeitos nocivos que acabamos de referir (1). Reveste-se, portanto, da maior importância o objectivo que alguém se propõe ao realizar ou ao aprender seja o que for: na verdade, a prática de certos actos por si mesmos, por causa dos amigos ou em nome da virtude, em nada degrada o homem livre; o que parece fazê-lo comportar-se como um escravo ou assalariado é, isso sim, o realizá-los com frequência e em função de outros. Os estudos ancestrais actualmente vigentes implicam ambas as possibilidades (¹).
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Ninguém tem dúvidas de que devemos ensinar as coisas úteis e absolutamente indispensáveis, embora não todas. Sendo diferentes as tarefas dos homens livres e dos não livres, é evidente que é importante realizar tarefas que não diminuam quem as realiza. Devemos considerar aviltantes (deprimentes, vergonhosos, infames, desonrosos, humilhantes) todas as tarefas, artes e disciplinas que não preparam o corpo, a alma e a mente do homem livre para a prática da virtude. É por isso que chamamos aviltantes (idem) os ofícios que debilitam o corpo, como as atividades assalariadas que mantêm a mente presa e degradada. Há também alguns estudos liberais que os homens livres podem se dedicar em certa medida, já que um estudo demasiado intensivo desses saberes causaria os efeitos nocivos mencionados. Portanto, o objetivo que alguém se propõe ao realizar ou aprender algo é de extrema importância: na verdade, a prática de certos atos por si mesmos, pelos amigos ou em nome da virtude, não degrada o homem livre; o que o faz comportar-se como um escravo ou assalariado é realizá-los com frequência e em função de outros. Os estudos ancestrais atualmente vigentes implicam ambas as possibilidades.
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Embora a sociedade se comprometa a ensinar coisas úteis e indispensáveis, nem tudo o que é essencial é ensinado. A diferença entre o homem livre e o escravo está na realização de tarefas que, em grande medida, deprimem por não prepararem os corpos para o exercício da virtude. Segundo Aristóteles, o escravo tem a mente presa e degradada. Embora o estudo excessivo das artes liberais também possa degradar a mente, o escravo é mentalmente degradado porque o objetivo de sua prática, realização e aprendizagem não é voltado para si mesmo. Ele não faz algo que gosta, não realiza suas ações em nome da virtude ou por causa dos amigos; seu objetivo é sempre servir aos outros. Ele não faz nada para si, para se sentir bem ou para se fortalecer, e por essas condições, ele é um escravo. Portanto, não basta apenas aprender as artes liberais; é necessário também gostar do que se faz e ter um objetivo pessoal. Ame o que você faz ou será eternamente um escravo a serviço dos outros ou do dinheiro.
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Aristóteles, em seu texto "Política", discute a educação e o trabalho em relação à liberdade e à dignidade dos homens livres. Aqui está a explicação do parágrafo:
1. Ensino das Coisas Úteis: Aristóteles afirma que não há objeções ao ensino das coisas úteis e indispensáveis, mas sugere que nem tudo deve ser ensinado.
2. Diferença entre Homens Livres e Não Livres: Ele distingue entre as tarefas dos homens livres e as dos não livres (escravos), destacando que os homens livres devem evitar tarefas que os humilhem ou degradem.
3. Preparação para a Virtude: As atividades, artes e disciplinas devem preparar o corpo, a alma e a mente dos homens livres para o exercício da virtude. Tarefas que enfraquecem o corpo ou prendem a mente são consideradas humilhantes.
4. Atividades Humilhantes: Trabalhos assalariados que mantêm a mente ocupada e degradada são vistos como humilhantes. Isso inclui atividades que desgastam o corpo e prendem a mente.
5. Estudos Liberais: Alguns estudos liberais são apropriados para homens livres, mas um estudo excessivo pode ter efeitos negativos, como mencionado antes.
6. Importância do Objetivo: O objetivo ao realizar ou aprender algo é crucial. Atos praticados por si mesmos, por causa de amigos ou em nome da virtude não degradam o homem livre. O que o faz parecer um escravo ou assalariado é realizar essas tarefas frequentemente e para outros.
7. Estudos Ancestrais: Os estudos tradicionais incluem tanto a possibilidade de degradação quanto a preparação para a virtude.
Aristóteles enfatiza a importância de manter a dignidade e liberdade dos homens livres, evitando atividades que possam humilhar suas capacidades físicas e mentais, e direcionando-se para a prática da virtude.
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"Cumpre também referir que, às crianças, devem ser ensinadas alguns saberes úteis, como por exemplo a leitura e a escrita, não tanto pela sua utilidade, mas porque por seu intermédio podemos aceder a muitas e diversificadas aprendizagens."
Aristóteles também argumenta que, embora habilidades como leitura e escrita sejam úteis, o principal motivo para ensiná-las é que elas permitem o acesso a uma ampla gama de conhecimentos e aprendizagens, não apenas pela sua utilidade prática imediata.
Em outras palavras a educação transcender mera utilidade prática, pois constitui-se como a porta para o desenvolvimento humano. Visto que a busca reiterada da utilidade não é digna de espíritos magnânimos e livres.
"A mente e o corpo não devem ser duramente exercitados ao mesmo tempo; na verdade, trata-se de duas práticas opostas, visto que o trabalho do corpo é um obstáculo para a mente, e o da mente também o é para o corpo."
Mente e o corpo não devem ser duramente exercitados ao mesmo tempo: Aristóteles acredita que é importante balancear o treinamento físico com a educação intelectual.
Trabalho do corpo é um obstáculo para a mente: Um treinamento físico intenso pode prejudicar o desenvolvimento intelectual e vice-versa.
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