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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

INTIMIDADOR: seja conforme a comunidade ou seja degradado

 Estimo que entre 10% a 15% da população mundial compreendem profundamente os textos de Aristóteles, enquanto apenas 1% da população mundial é considerada rica. Entre os mais ricos, há uma maior predisposição para entender essas obras, deixando cerca de 9% da população menos abastada com a capacidade de compreender Aristóteles. No entanto, a maioria das pessoas se sente incapaz de utilizar a inteligência artificial para decifrar textos filosóficos desse nível. Ou seja, embora a tecnologia esteja disponível, falta uma inclinação para aproveitá-la nesse sentido – ou, talvez, as pessoas que dizem se sentir desconfortáveis com a tecnologia estejam apenas mentindo e, na verdade, a utilizam para fins superficiais, sem se aprofundar em interpretações de Aristóteles.


O mesmo pode ser dito da comunidade psicanalítica, onde é considerado uma vergonha, uma imoralidade, até mesmo um insulto, submeter os textos de Freud a plataformas virtuais de interpretação e estudo. Por quê? Porque se privilegia a cultura oral e a capacidade diacrônica de uma mente psicanalítica – uma mente acima da média, que lida com as complexidades da alma humana. Os filhos de Freud são considerados o ouro da psicanálise, e submeter esse saber nobre a uma plataforma tecnológica é visto como uma perda de sua qualidade essencial, um rebaixamento ao que seria superficial ou vulgar.


O pensamento dentro desses novos círculos, longe de ser dialógico, muitas vezes intimida o indivíduo a ler a obra com sua própria capacidade e bagagem simbólica, enfrentando as dúvidas que surgem como enigmas na página do incompreensível. Essas dúvidas, por sua vez, só podem ser resolvidas com a participação ativa e, se houver sorte, com o acolhimento da comunidade psicanalítica. Caso contrário, o sujeito é degradado, marginalizado.


Assim, submeter os textos freudianos às ferramentas tecnológicas contemporâneas, muitas vezes vistas como "pai dos burros", não só diminui a qualidade desse conhecimento nobre, mas também é percebido como um ato de degradação da própria psicanálise.


Eu gostaria muito de degrada as passagens obscuras e difíceis de Freud por meio de uma plataforma que fórmula hipóteses de possíveis interpretações, porque para mim seria inconcebível tal prática e tirar o ouro da psicanálise do alto patamar e o distribuir entre as almas de alumínio (carsini) e orientar por meio dessas plataformas como as almas degradadas pode usufruir do conhecimento aristotélico e freudanos é bem mais interessante. Eu concordo com hetagogia por meio de plataformas que apoiam os processos de orientação de leitura e estímulo de consenso crítico. Ou seja, não basta apenas orientar a leitura, mas estimular o pensamento crítico, curiosos, criativo.

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