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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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GOVERNO SECULAR E ESPIRITUAL: será que a necessidade de engajamento cristão faz tanta falta assim?
"Mais uma vez, o reformador aplicou sua compreensão de que Deus atua no mundo através de dois governos: o espiritual e o secular. Com seu governo espiritual, ele age mediante a Palavra, tendo em vista a redenção das pessoas. Com seu governo secular, ele opera através da razão humana, com o objetivo de preservar e fazer prosperar a humanidade e a criação. Para governar de ambas as formas, Deus se utiliza de pessoas, que para tal devem estar muito bem preparadas. Daí o papel central das escolas e a necessidade de pais e mães enviarem filhos e filhas a elas.".
Com isso, podemos ver que a formação para o governo secular se perdeu, e mais ainda o governo espiritual. Hoje, vivemos em um mundo com governos pouco voltados para a erradicação da pobreza, por exemplo. Embora o índice de desemprego tenha diminuído, ele ainda não é tão bom quanto o dos Tigres Asiáticos, onde a pobreza atinge apenas 0,3% da população (corrigir se estiver errado). Isso também indica uma decadência do governo espiritual — embora a prática do confucionismo na Ásia não elimine o hábito repetitivo ligado ao governo espiritual, ela o torna mais centrado e claro, também, na forma de governo secular —, pois as pessoas não estão mais buscando conexões espirituais. Valores como a humildade e a caridade, ensinados nos livros sagrados, não são tão comumente praticados. Pelo contrário, há uma excitação pelo ódio e pela violência mais sofisticada, de modo linguístico e simbólico, quase abstrato.
Essa sofisticação dos modos de violência conduz à violência psíquica, que silencia as formas de expressão mental dos indivíduos e condiciona o que podemos chamar de plasticismo-apático. Para evitar o desenvolvimento de mecanismos de enfrentamento dessas novas formas de violência sofisticada, adota-se uma abordagem paradoxal: os meios de estudo e pesquisa são disponibilizados, mas, devido ao déficit histórico na educação, as pessoas não conseguem estabelecer uma relação profunda e reflexiva com os materiais disponíveis, nem desenvolver formas mais conscientes de lidar com as questões obscurecidas e generalizadas pela desigualdade e pelo aumento da violência linguística e simbólica.
"Isso porque, assim como há 500 anos, pelo menos duas coisas em relação à educação permanecem: o descompromisso de boa parte dos pais e autoridades e a necessidade premente de engajamento cristão.".
A falta de compromisso dos pais é uma questão socioeconômica, enquanto a falta de comprometimento das autoridades reflete a manutenção e perpetuação do déficit educacional, funcionando como mecanismos imperceptíveis de preservação do status quo. Isso, em essência, contribui para a manutenção da segregação social e o domínio das classes mais privilegiadas, principalmente homens brancos e ricos, limitando o espaço para, por exemplo, mulheres negras.
Em relação à necessidade urgente de engajamento cristão, eu sugeriria substituí-lo por algo mais universalmente espiritual. Por exemplo, proporcionar às crianças na escola momentos de conexão com a natureza, como a jardinagem, poderia ser altamente benéfico. Seria ideal se cada escola tivesse uma área verde para desenvolver uma conexão espiritual, não vinculada a uma religião específica, mas para promover momentos de introspecção, como respiração, meditação ou a contemplação de música ao vivo, alinhando-se com as práticas das artes liberais dos tempos aristotélicos. Até mesmo uma aula de música poderia servir como um momento de relaxamento e auto-conexão, em vez de uma zona caótica. O conceito está no ar; só falta concretizá-lo.
LUTERO, Martim. Educação e reforma. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 2000. p. 5-6.
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