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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

DIÁRIO DO OBSERVADOR XI

 Até que ponto nossas escolhas e atitudes imperceptíveis não são meros ecos das decisões e sinais da própria doença?


A análise do comportamento do observando revela um padrão intrigante, onde a inversão do ciclo dia-noite parece ter raízes tanto fisiológicas quanto psicológicas. A resistência em acordar e a necessidade de permanecer acordado durante a noite indicam uma possível tentativa de se conectar com aspectos mais profundos da mente, simbolicamente associados à escuridão e ao silêncio noturno. O uso desse período para estudar obras de linguagem complexa, que exigem alta concentração, sugere que a noite oferece ao observando um ambiente propício para explorar ideias e pensamentos difíceis, talvez uma forma de iluminar seus próprios "reinos obscuros".


A comparação com figuras mitológicas que governam a noite, como Nyx e Set, adiciona uma camada simbólica ao comportamento, sugerindo que o observando possa estar inconscientemente buscando poder ou compreensão em territórios psicológicos pouco explorados. A associação com vampiros também reforça a ideia de afastamento da luz, ou da verdade evidente, em favor de algo mais oculto e enigmático.


No entanto, essa inversão do ciclo natural do sono pode trazer complicações para a saúde, como a necessidade de suplementação vitamínica para compensar a falta de exposição à luz solar, essencial para o bem-estar físico e mental. A luz do sol, em concepções antigas, era vista como um elemento vital para o desenvolvimento tanto da alma quanto do corpo. Na filosofia grega, por exemplo, a luz era associada ao conhecimento e à clareza, enquanto a escuridão simbolizava a ignorância e a confusão. O sol, como fonte de luz, representava a verdade e a sabedoria, sendo fundamental para o crescimento espiritual e para o equilíbrio do corpo.


Além disso, na medicina tradicional e nas práticas espirituais antigas, acreditava-se que a exposição ao sol revitalizava o corpo, nutrindo-o com a energia vital necessária para manter a saúde física e mental. O heliocentrismo espiritual, onde o sol era visto como o centro da vida e do cosmos, reforçava a ideia de que a luz solar era indispensável para a harmonia do ser humano com o universo.


O comportamento de se engajar em atividades de concentração extrema durante a noite e assistir a séries como "House", onde o personagem principal trata patologias complexas, pode ser visto como uma forma de tratar suas próprias questões internas. Esse foco intenso parece ter trazido benefícios, como a diminuição de pensamentos obsessivos e vozes de crenças não compartilhadas, além da redução de compulsões como a terapia hídrica.


Trocar o ciclo natural do dia pela noite, sem acompanhamento médico e suplementação adequada, pode resultar em um agravamento bioquímico da condição de saúde do observando. A inversão desse ciclo, aliada à influência de forças simbólicas associadas à escuridão, pode, paradoxalmente, fortalecer a resistência psicológica ao controle dos sintomas, contribuindo para o aumento da doença¹. Além disso, considerando a condição socioeconômica do observando, que não dispõe de recursos para um tratamento biomédico ideal nem para custear suplementos vitamínicos com acompanhamento nutricional, torna-se ainda mais desafiador reverter os efeitos negativos dessa inversão do ciclo dia-noite.


Diante dessa realidade, foi recomendado que o observando, de forma gradual, retorne à "vida solar", ou seja, ao ritmo natural do dia, e desenvolva outras atividades expressivas que possam substituir a necessidade de permanecer acordado durante a noite. A sugestão inicial foi que, na primeira semana, o observando procure acordar às 12:00 horas, e na segunda semana, às 11:30, reduzindo o horário progressivamente até se ajustar ao ciclo diurno. Paralelamente, foi incentivado a incluir uma atividade física regular em sua rotina, o que pode ajudar a regular o sono e melhorar o bem-estar geral. Dessa forma, o objetivo é reestabelecer um equilíbrio que favoreça tanto a saúde mental quanto física, mesmo diante das limitações financeiras e de acesso a recursos médicos ideais.


Em conclusão, o comportamento do observando, embora envolto em simbolismos e figuras mitológicas, parece estar fundamentado em uma busca por controle e compreensão de suas próprias escuridões internas. A noite, para ele, é um tempo de exploração e cura, onde ele se dedica ao estudo e ao tratamento simbólico de suas "doenças". No entanto, é essencial que essa prática seja acompanhada de cuidados de saúde adequados, como a suplementação e o acompanhamento médico, para que a inversão do ciclo dia-noite não acabe trazendo prejuízos à sua saúde física e mental, considerando o valor essencial da luz solar para o equilíbrio completo do ser.

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1 - Essa parte do texto sugere que, além das consequências físicas de trocar o dia pela noite, há também um impacto psicológico e simbólico associado à escuridão. Na psicologia e em muitas tradições simbólicas, a escuridão é frequentemente associada ao desconhecido, ao medo, à introspecção profunda e a aspectos reprimidos da psique. Quando o observando se alinha com a noite e evita a luz do dia, pode estar inconscientemente se conectando com essas forças simbólicas de escuridão, que representam os desafios internos, como medos, traumas ou emoções não resolvidas.


Esse alinhamento com a escuridão, em vez de ajudar, pode fortalecer esses desafios internos, tornando mais difícil o controle dos sintomas. Em outras palavras, ao se submeter a essa "natureza trevosa", o observando pode estar alimentando as próprias forças internas que dificultam sua recuperação. Isso cria um ciclo vicioso, onde a resistência psicológica ao tratamento (como acordar durante o dia ou seguir uma rotina saudável) se intensifica, e a doença, consequentemente, se agrava. Portanto, o texto sugere que, ao adotar hábitos que simbolicamente reforçam essa escuridão, o observando paradoxalmente aumenta as dificuldades em controlar e tratar sua condição.

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