Pesquisar este blog
"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
Destaques
DIÁRIO DO OBSERVADOR X
O observador notou que os efeitos robóticos aparentes no comportamento do observado podem ser um reflexo do medicamento que ele está tomando. Suas ações e expressões parecem artificiais, com movimentos rígidos e um sorriso mecânico, como se suas reações fossem automatizadas. Diante dessa percepção, o observador acredita que o observado precisaria exercitar mais sua interação social, buscando maior contato com outras pessoas e inserindo-se em uma rotina de terapia em grupo e estudos fora de casa. Isso ajudaria a suavizar seus movimentos e tornar suas interações mais naturais.
Comparando com outros casos, o observador considerou que a condição do observado é relativamente leve. Embora as vozes que ele escuta sejam suportáveis, há incertezas sobre o que aconteceria se ele parasse o medicamento, que também oferece benefícios além da concentração, incluindo o suporte contra a psicose. O observado pondera sobre participar de um grupo religioso, sentindo uma simpatia crescente pelo estudo do catolicismo, motivada pelo primeiro capítulo do livro da biblioteca. Ele planeja revisitar suas anotações e salvar os estudos relacionados.
O observado também reflete sobre as vozes internas que o fazem sentir vergonha de quem ele é e de onde vem. Apesar de não manifestarem sintomas visíveis, essas vozes produzem efeitos subclínicos, como insegurança e autosabotagem, que são perceptíveis para alguém letrado, mas muitas vezes imperceptíveis para a própria pessoa. Esses sentimentos o impediram de ir à terapia à tarde, pois ele temia as perguntas das terapeutas, que, embora não fossem ruins, geravam confusão, pois ele não sabia como respondê-las. O frio intenso também foi um obstáculo para participar das reuniões dos Neuróticos Anônimos, nas quais ele apreciava o fato de não ter que responder a perguntas. O observado reconhece o poder da narrativa nessas reuniões, onde se permite contar sua história com autoestima e compaixão.
No entanto, a insegurança continua sendo um problema paradoxal para o observado, já que, apesar de se sentir confiante em suas opiniões, ele também se sente triste e inseguro. Ele tenta lidar com isso usando a técnica de nomeação, "olha aí a insegurança", acreditando que, ao nomear o problema, ele perde força. Ainda assim, a dúvida persiste sobre se esses sentimentos realmente passarão.
Durante um estudo espírita, o observado optou por não se abrir completamente, mas compartilhou sua perspectiva sobre obsessão como um sintoma subclínico, sugerindo que essas influências sutis, como insegurança e baixa autoestima, podem passar despercebidas pela própria pessoa. No entanto, a reação das outras pessoas, incluindo uma mulher que se identificou como experiente no caso autismo, foi de zombaria. Ela minimizou o autismo do observado como leve e mencionou que ele precisava melhorar sua autoestima, o que gerou risadas entre os presentes, às quais o observado acabou aderindo, rindo junto. Apesar do episódio desconcertante, o observado planeja retornar ao grupo na semana seguinte e participará de terapia em grupo no dia seguinte.
Comentários