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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

TRADICIONALISTAS E CONSERVADORES

 Um certo comediante de humor ácido, conhecido por suas declarações polêmicas e por vezes ofensivas, referiu-se a uma parte da abertura das Olimpíadas como "patética e idiota". Ele despreza um espetáculo que, para os progressistas, embora não seja universalmente apreciado por sua estética, simboliza uma poética celebração da diversidade humana.


Em outra esfera, uma acadêmica de postura crítica e incisiva, conhecida por suas visões tradicionalistas, desqualifica a mente criativa de uma artista surrealista, tachando-a de "idiota". Essa artista, com sua visão distorcida da realidade e repleta de metáforas oníricas, desafia os limites convencionais da percepção e interpretação.


Ao examinar os conceitos de "idiota" utilizados por esses dois críticos, percebemos uma convergência interessante. Ambos, de diferentes campos e com diferentes alvos, usam a palavra para deslegitimar aquilo que não se alinha com suas visões de mundo. Para eles, "idiota" torna-se um termo pejorativo que serve para rejeitar e ridicularizar o que é diferente, inovador ou progressista.


Os conservadores dissonantes, aqueles que se encontram em desacordo com os tempos modernos, e os conservadores assumidos, que mantêm firmemente suas tradições, utilizam a palavra "idiota" como uma ferramenta de defesa. Ao etiquetar o novo, o diverso e o surreal como "idiota", eles reafirmam suas próprias posições e valores, criando uma barreira de proteção contra a mudança e a evolução social. Para eles, a palavra serve para manter a ordem estabelecida e desqualificar qualquer tentativa de reimaginar a sociedade ou a arte de maneiras que desafiam o status quo.


Em última análise, a utilização do termo "idiota" pelos conservadores revela mais sobre seus próprios medos e inseguranças do que sobre os alvos de suas críticas. É um reflexo de uma resistência à evolução e uma tentativa de preservar um mundo que, inevitavelmente, está em constante transformação.

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