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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

SEM POESIA: o diário de um neurótico? II

Já faz um tempo que não sonho com sujeira. Recentemente, sonhei que trabalhava em um prédio dedicado a serviços estéticos. Durante uma caminhada para almoçar, avistei de longe o imponente edifício de quase 200 andares, quase uma torre. Na fachada, um outdoor rosa exibia uma mulher negra segurando um batom vermelho. De repente, um estrondo ecoou e um jovem ao meu lado comentou: "Acho que a caixa d'água do prédio vazou", situada no último andar, perto do outdoor. 


Saímos correndo para evitar a inundação de água suja. À distância, vimos o prédio desabar para trás, em nossa direção. Corremos ainda mais até alcançar um espaço com um teto alto, lembrando o de um circo sobre um ginásio. Voamos até o topo e conseguimos escapar da água suja, mas eu caí, segurando-me em uma corda preta. Ao chegar ao topo, acabei no fundo de um esgoto. 


Preocupada com a possibilidade de monstros, só conseguia ouvir sons semelhantes ao de uma baleia, ecoando nas profundezas do esgoto. Abri os olhos e vi a água marrom, atravessada por raios de luz, criando sombras suaves. Fechei os olhos e rezei para acordar, consciente de que estava sonhando. Senti-me como um policial lidando com toda aquela sujeira, temeroso dos monstros que poderia encontrar. 


Sentei com as pernas cruzadas, observando a água do esgoto e os sons, meditando ocasionalmente, esperando o momento de despertar. E então, acordei. Sem entender nada. 

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