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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

SEM POESIA: o diário de um neurótico?

 Assisti a um filme que falava sobre a realização de desejos e o vazio interior. Já passei por isso antes de usar fluoxetina. Depois que comecei o tratamento farmacológico, as crises existenciais e o vazio interior foram substituídos por uma atividade alegre dos pensamentos. No entanto, suponho que eles possam voltar, e uma cadeia de pensamentos obsessivos pode ser controlada por meio de um comportamento compulsivo positivo. Parece que a saída de qualquer estado de obsessão é uma compulsão; ainda não vi casos de pessoas sem nenhuma compulsão, até porque a cultura é tanto uma compulsão quanto uma obsessão, ao meu ver.


Pensei que poderiam existir compulsões que geram mais obsessões e compulsões, e outras que ajudam a diminuir as obsessões e outras compulsões. Mas surge a questão: qual a diferença entre compulsão e mania? E se alguma compulsão não fosse uma mania? Será que existem dosagens de compulsão mania? Vamos supor que seja um termômetro: então, temos as pequenas generalizações da compulsão e obsessão. Quando elas começam a atrapalhar? Quando elas se tornam barreiras?


Voltei para a terapia em grupo para analisar o discurso dos neuróticos e acrescentar à minha própria maneira de me gerenciar. Presumo, a partir do filme que vi sobre desejos, que a atividade recreativa, sendo uma compulsão, pode beneficiar os estados de obsessão da mente com ideias disfuncionais que levam ou sustentam o sentimento do vazio e, consequentemente, ocasionam ou aumentam uma crise existencial. Mas isso são apenas interpretações hipotéticas a partir do meu comportamento e do comportamento dos outros.


Preciso de um método para análise do discurso, mas não sei se Foucault abrange isso e tenho aversão às obras freudianas e psicanalíticas. Infelizmente, não há livros sobre a análise do discurso na terapia cognitivo-comportamental, até porque o discurso não parece ser um problema deles; o foco está na mensuração do pensamento cognitivo. Para expressar o pensamento, é necessário um discurso, ou melhor, uma narrativa. Talvez eu precise da análise da narrativa, só que não gosto de poesia e não sei ler nem escrever bem. Escrevo com a ajuda da inteligência artificial, que traduz meus sons guturais para uma linguagem compreensível. Precisamos de um aumento das atividades culturais. Preciso da análise do discurso e da narrativa. Como? Será que é possível? Será que sou capaz?


Houve um narrador narcótico com possíveis pensamentos preconceituosos sobre mim, claramente por eu ser feio, o que causa essa reação nas pessoas. Estou acostumado. Também tive pensamentos invasivos em relação a ele após ele falar que não sabe cozinhar bem. Talvez eu tenha romantizado uma situação abstrata com ele, de cuidados e zelos, mas isso me deixou desconfortável, porque eu não queria aquilo, talvez não de forma consciente. Foi abominável pensar naquilo e abrir meu posto de vagabunda para viver de cozinhar para alguém. No entanto, deixei a coisa falar e parei de olhar para ele, porque estava desencadeando esses sentimentos. Ele ainda falava, olhava para mim e sorria; foi devastador e horrível. No final da reunião, dei um abraço nele. Ele veio todo risonho, não abraçou direito, pareceu respeitoso, mas poderia ser repulsa pela minha aparência. Bom, vai saber. Agora, narrando, acho muito engraçado. Tudo bem ter uma dona de casa dentro de mim. Embora isso me incomode muito, talvez seja uma questão inconsciente de que devo ser igual à minha mãe ou que não veja saída para minha liberdade financeira e tenha um plano B, submetendo-me a um homem barrigudo que me deixa muito desconfortável.


Acho que isso é uma neurose transmissível. Minha antiga psicóloga me passou isso ao falar que um suicida não teria se matado se tivesse se casado e formado uma família. Eu queria correr ao ouvir aquilo, mas fui infectado. Foi tão horrível quanto a reunião. Por um lado, me arrependo de não ter olhado para ele e deixado todos os pensamentos intrusivos virem. Mas decidi que, na próxima reunião, farei o que fazia antes: virar a cadeira para ver todos em suas narrativas e não desviar o olhar, encarando esses pensamentos e emoções. Isso se chama Exposição e Prevenção de Resposta. O sentimento que senti foi a ansiedade de uma imposição cultural arcaica que prevalece hediondamente em nossa cultura. Estou trabalhando para não mais vê-la e qualificá-la dessa forma. Isso foi um pensamento e sentimento intrusivo; não devo dar crédito a ele.


Para mais:

A diferença entre mania e compulsão está principalmente nos seus contextos e características específicas:


Mania:

- Definição: Mania é um estado de excitação anormal ou excessiva, muitas vezes associada ao transtorno bipolar.

- Características: Inclui euforia extrema, irritabilidade, energia aumentada, necessidade reduzida de sono, fala rápida, pensamentos acelerados, impulsividade, e comportamento de risco.

- Duração: Pode durar dias, semanas ou até meses.

- Exemplos: Gastar dinheiro de forma imprudente, impulsividade em relacionamentos, eufórica sensação de grandiosidade.


Compulsão:

- Definição: Compulsão é um comportamento repetitivo ou ritualístico que uma pessoa sente a necessidade de realizar para reduzir a ansiedade ou evitar um resultado temido, comum no transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

- Características: A pessoa se sente obrigada a realizar a ação repetidamente, mesmo que saiba que é irracional. A compulsão é geralmente uma resposta a uma obsessão (pensamento intrusivo e indesejado).

- Duração: Pode ser de curta duração, mas é repetitiva, ocorrendo várias vezes ao dia.

- Exemplos: Lavar as mãos repetidamente, verificar portas e janelas, contar objetos.


Enquanto a mania está relacionada a um estado de humor elevado e comportamentos impulsivos, a compulsão está relacionada a rituais repetitivos para aliviar a ansiedade causada por obsessões.


1. Excitação:

   - Mania: Caracterizada por um estado de excitação extrema ou euforia, muitas vezes acompanhada de irritabilidade, impulsividade, e uma sensação de grandiosidade.

   - Compulsão: Não envolve necessariamente excitação; é mais uma resposta a uma ansiedade ou obsessão, buscando alívio através de comportamentos repetitivos.


2. Duração:

   - Mania: Pode durar dias, semanas ou até meses, sendo um episódio prolongado com sintomas persistentes.

   - Compulsão: Consiste em atos repetitivos que podem ocorrer várias vezes ao dia, com cada episódio durando de minutos a horas, mas são episódicos e relacionados a momentos específicos de ansiedade.


3. Natureza:

   - Mania: Está relacionada a transtornos de humor, como o transtorno bipolar, e envolve uma alteração global no estado de humor e comportamento da pessoa.

   - Compulsão: Está relacionada a transtornos de ansiedade, como o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), e envolve comportamentos específicos destinados a aliviar a ansiedade causada por obsessões.


4. Finalidade:

   - Mania: Os comportamentos maníacos são impulsivos e muitas vezes resultam em consequências negativas devido à falta de controle e julgamento.

   - Compulsão: Os comportamentos compulsivos são ritualísticos e repetitivos, feitos para reduzir a ansiedade ou prevenir um evento temido, mesmo que de forma irracional.


Esses aspectos combinados ajudam a diferenciar claramente mania e compulsão em termos clínicos e comportamentais.

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