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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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PACIENTE LUTHROM V
Caro Dr. Mico-Leão-Dourado,
Atendendo às suas recomendações, aprofundei-me nos estudos que indicou e percebi que a utilização da EPR (Exposição e Prevenção de Resposta) nos permite naturalizar aquilo que nos parece estranho. Assim, durmo sem receio de ter sonhos de natureza sexual e, caso os tenha, comprometo-me a registrá-los em meu diário. Continuo nutrindo sentimentos pela minha amada; a voz dela ressoa mais forte em minha mente do que qualquer outra. Por vezes, deixo de segui-la nas redes sociais apenas para, no dia seguinte, utilizando a EPR, voltar a acompanhá-la, sem medo de encontrar publicações que me tragam tristeza ou desconforto.
Confesso que os comentários dos amigos dela nas publicações me causam certo incômodo; sinto-me diminuído ao lado de homens tão cultos. Quando perguntei sobre o que a incomodara em uma publicação que me fez parar de segui-la, ela apenas curtiu a mensagem, sem dizer uma palavra. Isso me fez pensar que ela poderia sentir-se mal por minha causa. Segui sua sugestão dos questionamentos socráticos e descobri que meu medo maior é perdê-la. Ela é uma mulher extraordinária, culta e de pensamento ilustre, enquanto eu me vejo como um ignorante, pervertido, cujos pensamentos são obsessivos, como o senhor mencionou. Sou alguém que se irrita quando sai perfumado do banho, que se veste mal, barrigudo e peludo. Sinto que estou querendo demais ao amar alguém como ela, que me parece inatingível. Nem a língua dela sei falar, e tampouco ela decifraria meus sons guturais.
Mas, como o senhor também disse, quando sentimos algo, não devemos evitar o sentimento. Devemos vivê-lo até nos sentirmos plenos, enxugar as lágrimas e seguir em frente, para que possamos nos tornar mais conscientes e íntegros em relação às emoções que nos atravessam. Continuo praticando seus métodos, expondo-me a filmes e, em breve, a músicas que incitem esses pensamentos intrusivos e emoções obsessivas. Hoje, assisti a dois filmes e pude contar nos dedos os pensamentos obscenos; a todos eles, deixei passar. Consegui me concentrar na trama, dialogando cognitivamente com a narrativa, como se fosse um comentarista. Estou explorando esses aspectos da mente e espero que o senhor possa me trazer mais orientações.
Com gratidão,
Luthrom
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