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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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DIÁRIO DO OBSERVADOR IV
Após ouvir uma jovem mulher relatar um caso de machismo, ele escutou alguém dizer que ela merecia o que aconteceu. Esse comentário o deixou triste e pensativo, sentindo a necessidade de lidar com esse sentimento. Aproveitou a paisagem para observar as pessoas andando, tentando se desapegar das emoções negativas. Refletiu que, no final das contas, trata-se de desapego, embora isso também lhe causasse medo.
Antes disso tudo, ele tinha a impressão de que algumas pessoas o observavam e estavam no mesmo ônibus da convenção. Essa hipótese e a ansiedade o fizeram levantar para ir ao banheiro no fundo do ônibus. Enquanto olhava para os passageiros, não encontrou ninguém conhecido, apenas jovens. Colocou uma música e tentou se acalmar, mas não conseguiu urinar devido ao balanço do ônibus.
Ao chegar ao evento, sentiu um incômodo emocional ao descer do ônibus por causa da quantidade de pessoas. A espera pelo outro ônibus, que levaria todos da sua região juntos, foi angustiante. Ele ainda não conseguia fixar os olhos sem se sentir desconfortável, temendo incomodar os outros. A inquietação o tornava estranho tanto para os outros quanto para si mesmo, e a presença de muitas pessoas o deixava desalocado.
Dentro do evento, sentou-se no final da plateia, esperando que ninguém optasse por aquele lugar, mas foi frustrado. Concluiu que deveria ter se sentado mais ao fundo. Participou de algumas dinâmicas no palco, mas se sentiu desconfortável e não à vontade para participar. A exposição exigida aumentava seu conflito e ansiedade. Ficou triste ao ouvir mulheres discutindo algo que poderia ser relacionado a ele, desenvolvendo medo de mulheres altamente letradas em machismo e feminismo. A forma empoderada de falar dessas mulheres o fazia se sentir desalocado e triste, como se algo o estivesse prendendo. Geralmente, eram jovens independentes, livres de obrigações e explicações. Sentia que elas poderiam incriminá-lo, humilhá-lo ou agredi-lo linguisticamente.
Quando uma mulher começou a falar inglês, ele pensou que ela estava falando dele e que seu companheiro ferozmente apoiador poderia tirar uma foto dele. A paranoia de não conseguir criar vínculos saudáveis com o lugar o deixava desconcertado. Ele temia que essa mulher soubesse o que ele fez há cinco anos e que zombaria ou faria brincadeiras cruéis. Qualquer ação dela parecia uma tortura psicológica, indicando um trauma. Admirava como sua amiga não se incomodava com nada, permanecendo natural mesmo em um ambiente lotado.
Ele saiu e foi para um espaço aberto, coberto pelo sol e cercado de árvores, mas ainda sentia que as pessoas o seguiam e estavam no evento para constrangê-lo e puni-lo pelo passado. Sentia vontade de chorar, mas não conseguia. Cogitou ir embora, sentindo-se completamente descentrado. Uma mulher que passava frequentemente à sua frente parecia querer provocá-lo. Ele acreditava que ela queria que ele olhasse para ela para provar que ele era um maldito, mas ele não olhou, ficando ainda mais triste e incomodado. A mulher parecia querer tirá-lo do sério, falando algo em sua esquerda, e ele pensava que ela lia sua mente através do celular.
Concluiu que o grupo de pessoas que o perseguiam eram jovens mulheres provocadoras e maldosas, interessadas em tortura psicológica e em provar que ele merecia ser punido. Sentia que elas queriam que ele fosse morto ou torturado psicologicamente por seus comentários incômodos sobre mulheres. Ele se desculpou, mas a questão ainda ressoava dentro dele, embora fosse efêmera para um observador externo.
Destacou que a primeira mulher era negra e mais culta, enquanto a segunda era branca e mais cara de pau, embora não tanto. Concluiu que, apesar de tudo, não importava mais, embora fosse horrível. Lamentou ser uma companhia introspectiva e chata para sua amiga. Disseram-lhe que isso era parte de um trauma, com medos embutidos e sentimento de culpa. O medo estava na punição, o trauma na persistência da questão, e a culpa na reação de tristeza.
Ele decidiu se afastar de lugares assim, mas foi aconselhado a se aproximar gradualmente, pois é importante enfrentar o que nos causa desconforto. Quando sentisse esses sentimentos, deveria observá-los em vez de ignorá-los. Ao prestar atenção, percebeu que a primeira mulher falava de outros relacionamentos e que mudaram para o inglês porque ele estava ouvindo. A segunda mulher não prestou muita atenção na palestra e estava conversando com a amiga.
Ao ouvir melhor, ele percebeu que não falavam dele. Optou por ouvir as conversas dos adolescentes ao invés de escutar música, e isso o ajudou a lidar melhor com a situação. Foi elogiado por encarar seus medos. Continuaram com a prática de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR), agora introduzindo a diversidade feminina pela dissonância cognitiva e a diversidade juvenil, além de praticar exercícios para casa.
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