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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

VOCÊ REALMENTE SE ACHA FORTE PELO DELÍRIO DE SER AMADA, NÃO É VOCÊ QUE ELES AMAM

 Eu não acredito nesse papo de docilização do homem com essa história de que amor cura, amor isso, amor aquilo. Acredito que o ser humano está condicionado à corrupção, selvageria, barbaridade, julgamento, condenação, guilhotina, Bastilha francesa, no ser humano degradado dos séculos XV, XVIII e XIX que vive no nosso século, protegido pela tela virtual, na prevalência do triunfo de sua cultura hereditária, na inclinação dos conservadores do parlamento e nos colégios eleitorais do executivo. Acredito que a coerção social dociliza o sujeito a interpretar o teatro de alguém que ama o outro para sobreviver, mas, factualmente, deseja com todo ódio que ele morra e se dê mal cada vez mais. Essa é a realidade factual, não há espaço para a psicose do amor.


Observo que, quanto mais um jovem não consegue emprego e conquistar sua dignidade, mais ele se torna perverso, agressivo, corrupto, cheio de raiva e fúria, com sede de justiça social e de poder se explicar, de se defender perante o julgamento. Quanto mais isso não acontece, mais ele se torna um monstro que, mais tarde, não vê outra opção senão votar em partidos que autodestruem o país, sua etnia, sua raça, pessoas como ele. É um impulso de autodestruição que já não vê esperança. Não existe mais esperança, só existe a sede de gritar e destruir tudo, porque, ao se destruir, talvez ele consiga ser outra pessoa, mais forte, mais apática, mais plástica. Tudo em direção ao Mad Max. Só falta a guerra nuclear, que o desprezado mais deseja que ocorra para que todos, inclusive ele próprio, morram.


Se mata, imundície! 

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