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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

THEATRICUM: Infiltratio theatralis familiaris

 No escopo da psicanálise e do estudo comportamental, surge uma análise fascinante sobre a conduta do conservador, cujo julgamento é permeado pela incompreensão do que escapa à concepção do ego. O conservadorismo, retratado como o severo guardião da moralidade, frequentemente fundamentada em princípios judaico-cristãos, discrimina o que está além de seu entendimento, relegando tais ideias às margens do esquecimento, como no caso emblemático de Arthur Jermyn, evitando assim qualquer possibilidade de normalização daquilo que tem-se como anormal.


Dentro deste contexto, o conservadorismo exibe empatia seletiva, influenciada por fatores como etnia e posição social. Este julgamento rígido e excludente, limitando-se à condenação das transgressões infantis e suas generalizações, revela-se uma armadilha. Em um ciclo interminável, o conservador está condenado a reencontrar suas próprias falhas na próxima esquina.


A percepção deste fenômeno foi minuciosamente registrada no "Theatricum" da família, onde um grupo de psicólogos e psicanalistas observava o comportamento do paciente e sua dinâmica familiar. Neste ambiente de vigilância, os pensamentos do paciente, frequentemente constrangedores e obscenos, emergem como memórias torturantes de experiências infelizes. Recordações de um neologismo maldito de 15 letras e de um incidente de assédio sexual na infância assombram o paciente. Naquela época, o indivíduo não tinha a intenção de machucar ou a consciência do caráter assediador do ato.


Em seu relato, o paciente menciona que, na infância, a falta de orientação adequada sobre seus comportamentos digitais perpetuou práticas assediativas. A ausência de uma intervenção direta por parte de sua professora de sociologia, que era ciente das atitudes invasivas do paciente nas redes sociais, contribuiu para a manutenção dessas ações. Hoje, o paciente reflete com arrependimento, ciente do impacto negativo de suas ações e busca evitar conexões cognitivas prejudiciais, visando uma personalidade equilibrada.


O conservadorismo, como base desse comportamento discriminatório, leva à individualização unilateral, desumanizando e objetificando o indivíduo. A prevalência da ideia de estar sob constante vigilância estimulou os pensamentos obscenos do paciente, que diminuíram temporariamente durante um período de inflamação no ouvido – quando também diminuem seus delírios auditivos. Embora não esteja cometendo ações erradas, a presença constante de pensamentos obscenos e a observação de sua conduta geram desconforto. Para mitigar esses pensamentos, o paciente considera afastar-se de situações potencialmente desencadeadoras.


Por fim, o paciente observa que o conservadorismo tende a julgar uma pessoa por um único ato ou condição, desconsiderando patologias ou outras explicações. As vozes internas, que ele associa a "parentes marcianos", o levaram a refletir sobre a desumanização resultante desse julgamento unilateral. A solução extrema de eliminar o indivíduo como resposta ao comportamento inaceitável ilustra uma limitação medieval, contra a qual o paciente se posiciona firmemente, rejeitando a pena de morte em qualquer circunstância e defendendo a teoria do condicionamento humano.

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