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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

SEGREGAÇÃO SOCIAL E O CASCO: Rascunho

 Eu, desconsiderado na pele negra julgada sem cor, sem categoria étnica, muito menos sem espécie, coisa rara, deixado ao final da página, invisível à sociedade. Descartável e cada vez mais indiferente, sem amor, sem ninguém que não si próprio para amar. Outlier, outsider. Varrido ao desemprego, ao analfabetismo, ao mercado ilícito, a míseros salários sem registro, sem segurança, sem defesa, vulnerável. Um monstro, desprezível, desumanizado, deserdado do sistema, condenado às margens invisíveis, onde quanto mais capacitado academicamente, por ser imundo aos olhos das almas de ouro da sofocracia, menos serve ao mercado de trabalho. Casco. Ser pra nada. Pior que o Dalit da Índia. Maldito da psicanálise, o incurável, o intratável, impedido de falar, sem acesso ao divã, sem como pagar um tratamento biopsicossocial. Simplesmente desprezível. Descivilizado. Imundície. Infecção no meio da sociedade. Obsceno. Mal-educado. Mentalmente circuncidado. O que mais você diria?

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