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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

RELATÓRIO A: Mecanismos Psicológicos e Neurológicos do Theatricum

No contexto das ciências psicossociais, o *theatricum* se define como o palco onde ocorrem os ensaios de posicionamentos cognitivo-comportamentais. Este espaço simbólico é um mapa polar, influenciado pela eletricidade neurológica, que tanto sustenta quanto extingue determinadas ligações sinápticas. Estas ligações são fundamentais para os diversos posicionamentos cognitivo-comportamentais adotados pelo indivíduo.


No centro do *theatricum*, encontra-se uma esfera composta por elementos derivados da hereditariedade cultural, que se assemelha a uma massa d'água incubada, orbitada por pensamentos. Estes pensamentos podem se afastar ou se aproximar do eixo central, conforme a preservação ou estímulo das ligações neurológicas, resultando na extinção de determinadas conexões sinápticas. Contudo, a neurogênese permite a formação de novos neurônios, possibilitando a criação de novas conexões e, consequentemente, novos posicionamentos cognitivo-comportamentais.


Observa-se que, com a diminuição dos pensamentos e imagens mentais obscenas, ocorre uma redução na percepção das vozes, indicando que certas ligações sinápticas foram extintas, dando lugar a outras mais eficientes na gestão desses impulsos instintivos. Esta constatação, embora não uma regra geral, fornece uma estrutura sistemática para lidar com questões internas, visando uma compreensão mais precisa de suas causas e significados. A abordagem se orienta de fora para dentro, sugerindo que o diálogo pode simplificar a identificação do núcleo gerador da angústia.


A prática de contenção de pensamentos indesejados inicia-se com a participação em uma comunidade onde esses pensamentos são estimulados. Como um atleta treinando para melhorar seu desempenho, o indivíduo aprende a posicionar-se melhor diante deles. Durante uma palestra, por exemplo, permite-se que os pensamentos surjam, adotando uma postura contrária a eles. Idealmente, deveria-se ser indiferente e deixá-los passar, mas essa habilidade é desenvolvida com o tempo, reduzindo gradualmente os posicionamentos e abstraindo os pensamentos em imagens e figuras grotescas.


Durante episódios de paranoia, como no caso de um relacionamento ilusório entre seu primo e sua mãe, o paciente registra os pensamentos por escrito e os lê posteriormente. Utiliza-se, então, o método de Mick West para validar a ocorrência dos sons percebidos. Esses sons são estímulos que provocam um posicionamento mental. Este processo de reeducação psíquica e emocional envolve vigilância constante dos próprios pensamentos e auto-instrução em valores positivos, conforme preconizado pelo budismo.


A mente, portanto, não é apenas um palco, mas também um ginásio onde se enfrentam os próprios monstros internos. A questão central é: como esses monstros emergiram na consciência? Sua presença implica um estímulo e uma sensibilidade para captar essas passagens cognitivo-comportamentais. Remontar isso ao passado é complexo, levando a uma reavaliação da cultura familiar, sugerindo que o *theatricum* é uma herança familiar, profundamente enraizada na estrutura familiar.


No início da audição de vozes, o paciente enfrentava dificuldades para realizar tarefas básicas, como usar o banheiro ou tomar banho, devido à sensação constante de estar sendo observado. A dificuldade em se concentrar em atividades como assistir a filmes, ler livros ou ouvir música era evidente, com pensamentos acelerados e intrusivos. A dificuldade para dormir era uma constante, necessitando de algo para interromper o fluxo incessante de pensamentos. Contudo, com o enfrentamento gradual dessas questões e o uso de medicação apropriada, foi possível reduzir os sintomas de depressão, ansiedade e paranoia.


O processo de abstração desses pensamentos e impulsos pareceu reduzir sua intensidade. Observa-se que, com a interrupção da menstruação, possivelmente devido ao uso de anticoncepcionais, os impulsos diminuíram. Este fenômeno não está claramente relacionado a personalidades ou arquétipos, mas pode ser uma forma de energia ou instinto. A prática contínua de marginalizar pensamentos indesejados, chamada de *theatricum psychicus*, desenvolveu uma tolerância a eles, abstraindo-os e reduzindo seu impacto.


Enquanto assistia a um jogo de vôlei, o paciente experienciou a emergência de *eH* – denominarei essa entidade como Energia H, ou eH. O ‘H’ representa o presente, pois ela não guarda conexão com os dias anteriores; sua manifestação é sempre peculiar e subjetiva ao dia atual –, uma forma de energia cognitiva desencadeada por estímulos visuais e associações livres. Esta energia não se expressa em palavras, mas em sentimentos e ideias não articuladas, semelhantes a relâmpagos de consciência. Ataca a identidade, não para destruí-la, mas para preservá-la de maneira mais autêntica, influenciada por esferas culturais e midiáticas.


Em resumo, o *theatricum* é tanto um palco quanto um ginásio dinâmico de enfrentamento interno. Compreender como esses monstros cognitivos emergem e são enfrentados é fundamental para a reeducação psíquica e emocional, permitindo uma vida mais equilibrada e resiliente.

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