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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

O SENSO COMUM DO INUTILE-DILETTANTE E A COMUNIDADE GÍMNICA

  O Inutile-dilettante, qual ciência de metodologia dadá, paradoxal em sua natureza, impele-nos a uma revisão dos valores implícitos e princípios éticos que norteiam nossa existência. Não desejamos, por certo, estar alheios aos problemas sociais e políticos que permeiam os objetivos de nossas indagações. É patente que nossa pesquisa se insere num contexto particular, permitindo-nos conhecê-lo e propor um agir inclusivo, distinto da comunidade gímnica excludente, tudo isto baseado em crenças formuladas por uma hereditariedade cultural espontânea e acrítica desde o início.


Desta forma, esforçamo-nos por resolver questões, não através da explicação de forças com técnicas herdadas de esferas culturais, mas gerando um conhecimento particular e circunstancial, perto de generalizações apressadas e imprecisas. Nosso conhecimento se caracteriza pela ausência de organização, assistematicidade, fragmentação, subjetividade e ambiguidade, sujeitando-se ao julgamento arbitrário dos valores dos leitores, que o podem considerar estranho e sinistro. Nossos conceitos não são definidos para abandonar a ambiguidade; a linguagem é cada vez menos precisa, e as investigações carecem de organização e base empírica de controle dos fatos.


Não delineamos claramente o objeto específico de investigação, nem seguimos um método rigoroso que nos permita estabelecer um conhecimento sistemático e organizado, e que descubra ligações universais entre os fenômenos. Carecemos de método próprio, campo de pesquisa delimitado e procedimentos específicos, pois nem tudo a ciência explica com suas teorias provisórias. O Inutile-dilettante objetiva criticar a estrutura do mundo sem apego a valores cognitivos, mas sim abraçando valores éticos e políticos. É uma ilusão imaginar que a dissertação esteja imune à influência de seu contexto social sem examinar os valores que se acredita serem favoráveis aos oprimidos, pois a dissertação pode servir ao florescimento da humanidade em vez de apenas agradar aos poderosos.


Orientado pela ideologia progressista, reconhece-se que tais valores influenciam a escolha da pesquisa, que portanto não é neutra. Pergunta-se até que ponto a ciência efetivamente serve a valores que auxiliam os oprimidos, visando garantir a estabilidade destes. A ciência encontra-se inextricavelmente envolvida na ética e na política, e o cientista, seja ele um inutile ou não, carrega uma responsabilidade social da qual não pode abdicar. 


Após submetermos o texto à comunidade gímnica, este foi encaminhado a um serviço inteligente de interpretação para identificar e examinar os pressupostos do conhecimento e da atividade escrita, bem como os valores subjacentes à sua prática. Encontraram-se, pois, os seguintes aspectos:








Pressupostos do Conhecimento e da Atividade do Texto:


1. Identidade Referencial:


   - O texto pressupõe que a identidade é construída em torno de modelos brancos, masculinos e euro-estadunidenses, que dominam a construção das subjetividades e promovem a invisibilidade de outras identidades e culturas.


2. Corpo Moral e Físico:


   - Há uma suposição de que a moralidade e o caráter de um indivíduo estão intrinsecamente ligados à conformidade com um ideal de corpo ginástico específico (corpus gymnasticae) que é considerado moralmente superior (corpus moralis) pela comunidade gímnica.


3. Currículo Educacional:


   - O currículo é baseado em premissas ocidentais que favorecem identidades brancas e masculinas, perpetuando relações desiguais de poder e desfavorecendo a construção de identidades positivas para alunos de outras origens.


4. Influência Cultural:


   - A prática educacional e a comunidade gímnica estão fortemente influenciadas por valores culturais específicos que excluem e marginalizam outras culturas e identidades.








Valores Subjacentes à Prática do Conhecimento:


1. Desvalorização da Pureza Atlética:


   - A prática do conhecimento gímnico valoriza a pureza atlética (castitas athletica) e a rigidez moral como indicadores da excelência e moralidade.


2. Exclusividade e Padronização:


   - O sistema educacional e as práticas associadas promovem a exclusividade e a padronização, marginalizando culturas e identidades que não se alinham aos padrões dominantes euro-estadunidenses.


3. Hierarquização e Invisibilidade:


   - A prática do conhecimento tende a hierarquizar e tornar invisíveis corpos e culturas que não se encaixam nos modelos estabelecidos, perpetuando a exclusão e a marginalização.


4. Necessidade de Inclusão:


   - Há um valor implícito na necessidade de repensar o sistema educacional para promover a igualdade e a inclusão, valorizando a diversidade cultural e proporcionando oportunidades iguais para todos os alunos.


5. Responsabilidade Social e Crítica:


   - O texto sublinha a responsabilidade social do cientista e a necessidade de uma abordagem crítica que questione as normas e os valores implícitos nas práticas educacionais e científicas.

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