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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

EU AMALDIÇOOU AS SOCIEDADES: será que o luto cotidiano concreta-se?

 Eu queria ter porte de arma e licença para matar. Eu queria torturar aqueles que desprezo. Desejo ardentemente o advento de uma guerra nuclear. Anseio ver o país em ruínas, com todos se afundando em seu próprio desespero. Almejo assistir os mais ricos perecendo em conflitos sangrentos. Queria que todos os dados do mundo, inclusive as contas bancárias, fossem apagados, mergulhando a sociedade no caos. 


Quero um instante em que todos se encontrem na mesma classe, na mesma situação, igualados pela miséria. Quero vê-los famintos, arrasados. Quero condenar todos ao apocalipse. Se dependesse de mim, ele viria amanhã. Desejo que todos os satélites caiam, que a internet desapareça, que as moedas de qualquer país percam todo o valor. Anseio por uma guerra mundial, por um fim trágico e absoluto.

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