Pular para o conteúdo principal

Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

A BOLHA ESTOUROU: partida para a realidade factual e artificial

 De súbito, encontrava-me aqui, mais comunicativo com aqueles que me desprezam, acrítico da dinâmica familiar que hoje denomino theatricum psychicus. Mas então, de repente, já não estás aqui, e tudo retorna. Retorna a crítica ao theatricum, retorna o olhar analítico, retorna o mal-estar, o sentimento de desconforto por ser desprezado, odiado, excluído. Antes, nada disso ocorria e podíamos todos conversar. Pois é, a bolha uma hora estoura e nos devolve à realidade que jamais muda.

Não estás mais aqui, e a dor se dissipou, mas uma nova dor se apresenta, a dor do que deixei para trás quando fizeste de ti o problema central. A arma que usei foi a verdade, a transparência e a ironia — a melhor forma que encontrei para lidar contigo. Sempre me despedia antes de adormecer, até que a última noite chegou e dela não me recordo. É um alívio, mas ainda há aspectos que devo relegar às margens do meu mapa polar.

Pensamentos sombrios roubam minha consciência, clamam pelo protagonismo, anseiam por reconhecimento de uma forma ou de outra. Roubam-me, e eu já não sei o que sou ou o que fui; resta-me apenas um relâmpago de memória. Ainda quero saber como dar um salto quântico das questões cognitivas para empurrar as margens da órbita do eixo de mim mesmo. Entendo esses problemas, pois eles me orbitam, mas não permito que dominem meu corpo moralis, laborans, psychicus. Eles permanecem ali, orbitando sem repercutir na esfera da pura ação.

Essas questões são como fantasmas que rondam minha casa, surgem sempre que estou diante de um estímulo que lhes permite manifestar-se. Depende do objeto do foco, depende do tipo de foco.

Comentários