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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

NÃO TEM PÃO E LEITE PRA BEBER E COMER, MAS TEM CONCEITOS NO PAPEL

 Antes de qualquer coisa, precisamos de um lugar, e o primeiro a se considerar é a família. A forma como concederemos esse lugar estabelecerá um hábito cultural familiar, assim como um código linguístico, expressões passadas por antepassados que configuram a hereditariedade cultural. Neste lugar, temos diferentes esferas gasosas que se atravessam e absorvem o sujeito, que é capaz de captar seus símbolos e ícones durante seu trânsito.


Ao adentrar essas esferas, o sujeito respira seus valores, práticas, normas e saberes que se incorporam em sua composição, sendo esses o corpus moralis, psychicus, laborans que dão base para o theatricum. Este theatricum pode-se inclinar para o modelo gymnasticae-athletica, outlier ou plastticismo-apático.


Na família, o sujeito é imerso em um ambiente onde valores e normas são respirados e absorvidos, moldando seu caráter e sua visão de mundo. Essas esferas gasosas representam a transmissão de tradições e conhecimentos que, ao serem assimilados, formam a base moral, psíquica e laboriosa do indivíduo. Este conjunto de valores e práticas define seu comportamento no grande teatro da vida, que pode se manifestar de diversas maneiras, desde uma inclinação para a disciplina física e mental, passando pela singularidade que desafia o comum, até a apatia plástica, desprovida de verdadeira substância.


A família, portanto, é o primeiro palco onde essas influências se revelam e se entrelaçam, criando um cenário onde o sujeito não apenas vive, mas atua, absorvendo e refletindo as heranças culturais e os códigos de sua ancestralidade.

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