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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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IDENTITAS-REFERENTIALIS DE NERO E HAMLET
O poder da narrativa reside em quem fala sobre aquele que nada conhece. O mesmo se aplica ao theatricum, seja moralis ou psychicus; quem não entende nada dele fica subordinado a quem interpreta.
Quem não conhece o livro "Imperium" de Ryszard Kapuscinski não saberá de sua relação lastimável com o assédio psíquico e o desenvolvimento, a partir deste e de outros componentes biosociais, do plastticismo-apático. O mesmo ocorre com o theatricum, local do desenvolvimento do drama; há quem diga que sua narrativa de vida não é um drama, mas, ainda assim, atravessa as interpretações dramáticas dos corpos externos e internos.
Hamlet, mergulhado em um turbilhão psíquico, é vítima do assédio psíquico, considerado sutil, de seu tio, usurpador do trono, que o afasta de sua legítima herança de poder. Embora não sucumba ao plastticismo-apático, caso o fizesse, poderia se tornar tão tirano quanto o tio. Um paralelo pode ser traçado com o imperador Nero, que, influenciado por figuras próximas como sua mãe, Agripina, e seu conselheiro Sêneca, cedeu ao plastticismo-apático. Evidentemente, as disposições de Hamlet e Nero são moldadas por sua herança cultural, a influência de sua época e as imagens e símbolos que compõem o caráter moral, psíquico e laborioso do monarca. Em suma, como monarca, ele é moldado por expectativas sobre seu comportamento, pensamento e exercício de poder.
O que leva Nero a sucumbir ao plastticismo-apático e o que torna Hamlet resistente a essa queda reside não apenas na cultura hereditária e no ambiente que os cercam, mas sim no lugar onde o theatricum psychicus se desenvolve. Ali, há um espelho interno de conduta e posicionamento concebível para sua moralidade, labores e psiquismo. Esse posicionamento orienta a ação cognitiva e físico-biológica. Nitidamente percebe-se que o corpus moralis e laborans age física e biologicamente, embora este último esteja entre a expressão biológica-física e cognitiva, enquanto o corpo psíquico se expressa mais cognitivamente e por meio das imagens mentais.
Mas afirmar que a cultura que absorvemos ao atravessá-la faz nosso espelho interno optar por um posicionamento além do outro não explica como o assédio psíquico de corpos próximos pode ter levado Nero e Hamlet a desenvolver ou não o plastticismo-apático. A questão deve ser mais observada no conceito de espelho, inspirado na experiência de Jacobina no conto de Machado de Assis, "O Espelho". O conto nos leva a questionar o que há nesse espelho que orienta nossas ações, virtudes e vícios. Pois bem, é a identitas-referentialis que diferencia Nero, que sucumbe ao plastticismo-apático, de Hamlet, que não.
Fica o desafio quem/quais são as identitas-referentialis de Nero e Hamlet?
Poderia escrever mais, mas cansei. Boa noite.
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