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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

Frankstein

 Desde a infância, identifico-me profundamente com o personagem de Frankenstein. Em minha busca por amizade, encontro aceitação apenas quando o indivíduo é cego à minha peculiaridade. Na busca pelo amor, ao encontrar alguém que parece espelhar-se em mim, sou repelido com um grito de horror, afastando-se como se eu fosse um monstro, encantado com sua "noiva". Desisto de procurar por outro ser como eu, pois é angustiante pensar que alguém mais poderia viver em condição tão terrível. No entanto, mantenho uma esperança de encontrar um camarada que aprecie minha monstruosidade, mas quando finalmente o encontro, a resposta é um lacônico "não quero". E assim, é abandonado. Curioso destino, não?

Não sei se poderia ser considerado um verdadeiro Frankenstein, afinal, minha vida não é marcada por horrores, e as amizades que não cultivei foram perdidas devido a uma alta taxa de abandono e ruptura. Minha personalidade não é das mais fáceis. Sou rotulado como inteligente, mas na verdade questiono minha própria inteligência; considerado excepcional, mas no fundo me sinto comum. Quando o amor se aproxima, faço questão de afastá-lo. Minhas ações são contraditórias, e por mais que busque alguém, seja como amigo ou algo mais, nunca parece ser suficiente, e acabo descartando.


Não sou justo com aqueles que me consideram amigo. Talvez seja uma questão de excesso ou total ausência de responsabilidade afetiva. Amar é mais fácil do que ser amado. Aceitar que alguém nos ame é conflitante, pois nunca nos sentimos merecedores desse amor. Porém, é simples aceitar que a outra pessoa seja o que é. Não espero dos outros a mesma postura, pois a considero genuinamente minha. Talvez eu seja um monstro em relação a mim mesmo. Talvez tenha me transformado em um monstro.

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