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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

AMBIENTE HOSTIL

 Deveria haver uma outra forma de vínculo institucional, dedicada aos pequenos pesquisadores, escritores de periódicos de classificação insignificante ou sem qualis, e até mesmo para grandes pesquisadores de periódicos de alta qualificação que também carecem de recursos financeiros. Seria uma proposta meritória, mas, lamentavelmente, há uma reticência generalizada em facilitar a vida do próximo. Ao contrário de algumas nações, o Brasil carece de um senso de união; aqui prevalece a mentalidade de todos contra todos. A mídia euro-estadunidense enraizou em nós a aversão aos nossos semelhantes na condição de latinos, e quanto mais latino alguém aparenta ser, mais é associado à prostituição e à vagabundagem, perpetuando um ciclo de isolamento e desamparo.


Ninguém parece compreender que, ao ajudar um, todos ganham. Este fenômeno não se restringe ao âmbito popular; permeia também a esfera científica. No Brasil, a solidariedade é uma raridade, um luxo quase inexistente, e cada um luta por sua sobrevivência, muitas vezes às custas do próximo. Este ambiente hostil e competitivo não favorece o progresso científico ou literário, pois a falta de apoio e colaboração sufoca o potencial de muitos talentosos pesquisadores e escritores.


Imaginar um cenário onde existisse um vínculo institucional para apoiar esses indivíduos é sonhar com um futuro onde o conhecimento e a criatividade fossem valorizados em sua plenitude, independentemente da classificação de seus periódicos ou da magnitude de seus recursos financeiros. Um futuro onde a colaboração e o apoio mútuo prevalecessem sobre a competição desenfreada, onde a vitória de um fosse a vitória de todos. Esta mudança, porém, exige um esforço coletivo e uma reavaliação profunda de nossos valores e práticas sociais, algo que, infelizmente, ainda parece distante da realidade brasileira.

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