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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

ROLE-PLAYING TORNADO LETRA DO RPD: Theatricum "incesto"

No silêncio da noite, ecoam os sons inquietantes que reverberam pelas paredes, como um sinistro presságio de uma trama oculta. Batidas ecoam, ruidosas e misteriosas, vindas do armário do quarto ao lado, onde repousa minha mãe. Passos obesos, pesados ressoam no corredor sombrio, como se as próprias pegadas do destino se anunciassem, meu primo, presumivelmente, transita dos quartos distantes. O ranger da cama ecoa, mas sua veracidade é questionável, talvez um simples reflexo do movimento monótono do ventilador. Mudando de posição na cama, os sons se atenuam, mas persistem, sussurrando em meus ouvidos, envolvendo-me em uma aura de tensão e angústia.


Imagens desagradáveis invadem minha mente, envolvendo-me em um turbilhão de pensamentos sombrios. Suposições grotescas me assaltam: "Será que meu primo e minha mãe tramam minha morte para consumar seu amor proibido?" – tendo em consideração que minha existência reverbera como uma muralha. Sinto-me substituível, uma barreira para a realização de seu amor ilícito. Aceito resignado meu destino, pronto para morrer e ser banido de seu convívio. No dia seguinte, um véu de desconfiança envolve minhas interações, meu semblante carregado denota a resistência que sinto em aceitar suas ações afetivas. Torno-me taciturno em relação ao meu primo, reduzindo as brincadeiras que antes compartilhávamos.


Imponho exigências a minha mãe, como se fosse sua obrigação satisfazer meus caprichos, alimentando a cena macabra que tece em minha mente. Na escuridão da noite, impulsionado pela inquietude, dirijo-me ao quarto de minha mãe, buscando respostas para os mistérios que assolam meus pensamentos. A porta se abre, revelando um vazio perturbador. Conversei com ela por um tempo, buscando clareza em meio à escuridão que ameaça consumir-me. Retorno ao meu quarto, ainda envolto pela sombra da dúvida, e vislumbro, ao longe, a luz trêmula do banheiro, como um farol sinistro em meio à escuridão da noite.

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