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DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

Você quer me calar?

Não importa se você é branco e pobre, 

achei ótimo, 

melhor pra você. 

Se você for branco, 

quero que se foda. 

Não me importo com seu caráter, 

não me importo com sua sensibilidade, 

espiritualidade,

simplesmente não estou do seu lado. 

Você tomou meu lugar 

desde o momento em que nasceu. 

Você tenta me parar,

você tenta fazer o que eu falo incompreensível,

você não me vê,

você vê um estranho sinistro,

você vê um casco.

Esse lugar em que você está, 

seja na CLT ou na organização pública, 

esse lugar não é seu, 

é meu. 

Você é um gímnico. 

Eu espero o seu pior.

Eu quero que você se mate.

Eu quero que você morra.

Eu quero que você perca.

Eu quero privatizar e selecionar

os lugares para os meus, cascos,

0,00118% das vagas da universidade pública

dirigida somente para os casco.

Eu quero fazer o que você fala

Incompreensível,

quero que seja invisível,

quero que não tenha direito a defesa,

quero que não consiga um trabalho,

quero que você não se aposente,

quero te ver viver nas palafitas,

na vila dos pescadores,

no cais,

nas margens.

Quero te ver sem lugar de poder,

sem medicamentos bons,

sem acesso rápido a saúde e bem-estar,

quero que não consiga alimentar seu pet,

quero que tenha uma dieta sem proteína,

da carne,

do peixe,

sem poder comer

frutas e saladas.

Quero que suas pesquisa sejam

silenciadas, não encontradas.

Quero que não consiga se

Especializar,

Fazer mestrado,

Doutorado,

Pós-doutorado,

Quero que eu seja seu professor

E eu não vou permitir que tipinhos como você

Se forme ou compreenda a minha matéria.

Eu vou estacionar você,

Vou dilacerar você,

Vou atrofiar sua imaginação,

Vou reduzir os significados dos teus pensamentos,

Vou te assediar psiquicamente,

Vou entrar na sua mente

E fazer você não acreditar em si mesmo

Eu vou mastigar você

Até que você se mate

Você gostou do meu discurso de ódio?

Por que quando eu falo não posso, 

Mas quando você fala elege até

Bozonero?

Você não elegeu ele para me matar?

Por que eu não posso querer que você morra?

Não existe paz,

Não existe extinção das classes sociais,

Não existe igualdade racial,

Então eu quero expressar minha sombra e

Declarar

Que eu sou contra você.

O lugar de poder é meu.

O estado é o casco.

Deus sol é casco.

Se você não me dar uma cor,

Se você não me admite no seu lugar,

Se os pretos fazem o mesmo,

Eu proclamo e concebo meu lugar,

Casco político.

Você quer mudar isso?

Então deixa eu viver minhas vontades e meus sonhos.

Deixa eu entrar na instituição pública,

Quantas vezes eu quiser.

Se você me dê permissão de adentrar a comunidade postulada,

Eu perdoo suas agressões cotidianas

E faço essas palavras serem absolutamente nada.

Mas se você não reconhecer meu lugar, 

Eu vou organizar uma comunidade, uma sociedade, um grupo político

Para extinguir todos que tentarem me parar.

A escolha é sua!

Aumente os espaços para a pluralidade ou morra.

Embora os covardes chorem quando você morrer.

Para mim...

Ninguém liga.

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