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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

PAUTA: algumas coisas

 

Breve Caracterização do Diletantismo Inútil

Escrito original, parte de uma folha de um diário, editado para o Pauta em 2 de Fevereiro de 2022.

Uma pessoa pobre, como eu, pode pensar em fazer um mestrado, e eu digo para mim e como minhas impressões, é quase uma opção à morrer de fome, mais uma vez, eu enfatizo dizer este texto para mim. Ou seja, não me sinto convidado e acolhido pela comunidade acadêmica, nem pela comunidade literária, sempre muito arrogante e cheia de ego, de normatizações e de mecanicísmos. É por isso que eu me considero inútil. Não um escritor, mas um diletante inútil, não um estudioso, mas um entusiasta inútil.

Essa é a verdade que muitas pessoas não podem falar, que nós somos o tipo de pessoas que não podem fazer tudo o que nos apetece fazer, porque, desde nossos ancestrais, temos um lugar fixo na sociedade, um lugar baixo, o lugar de lixo que é onde devemos ficar e trabalhar, o lugar preso ao chão, que é onde não podemos nos mover, falar, revelar. Chamar-me artista é quase como um insulto, pois chamar-me assim é equiparar-me a uma classe de pessoas inteiramente vaidosas e hipócritas que riem dos pobres passando por dificuldades financeiras, biomédicas e psicológicas. Um plano de fundo na decadência humana, juntamente com a padronização de valores ao plastticismo-apatético. O artista e a ocupação da arte se ajustam apenas aos mais ricos, para mim se ajustam à orgulhosa classificação de charlatão, latão, inútil, nada, desprezível, nojento, tenebroso, terrível. Prestigiado pela piedade sem propósito, bem, não sinta piedade.

Sim, eu posso participar, sendo unicamente e exclusivamente o admirador retardado da arte daqueles que vivem no mais alto nível, quero dizer, aquele que entra no salão e não entende nada do que está olhando na sala, orgulhosamente, este sujeito caminha pelos corredores com um leve sorriso no rosto e, ninguém fala com ele porque sabe muito bem o que suas expressões corporais indicam, os olhos brilhando de emoções contidas, os sentimentos de que nada é compreensível, já que não há nele bases suficientes para ter alguma capacidade de compreensão, mesmo assim, como inspiração ele as absorve, só para citar tão erroneamente mais tarde. Em tais momentos, esse cara sou eu. Sim, esse sou eu, no MASP, na bienal de arte de 2016!

Estou consciente de que meu lugar é este, meu lugar de diletante, um admirador de quem quer que tenha feito o ofício da arte. No entanto, tenho orgulho, orgulho de fazer merda e vê-la como arte ilegível, nada além disso pode ser o que eu crio, e não legitimo ninguém para dizer o contrário. Dizer seria como ofender-me diretamente. O que eu realizo, faço-o da maneira como pôde me educar e como pôde me ensinar, não posso mudar o que juntos, as bruxas do destino e minhas condições, construirmos. É por isso que aceito ser o que posso e só posso ser o que estou sendo. Não posso esticar meus braços demais, meus braços são pequenos demais para alguns alcances.

Por essa razão, eu determino o que sou e o que estou sendo. Por enquanto, só posso ser um diletante inútil. Porque minha admiração pela arte é nada menos do que nada. Muitos podem vir me dizer que há pessoas com muito menos do que eu e que fazem, mesmo assim, muito mais, mas isso é outra existência do que a minha, um aspecto que muitos se esquecem de considerar. Na singularidade de cada pessoa, cada pessoa passa por suas dificuldades de uma maneira peculiar. Comparar-me parece um enorme disparate, como alguém que quer ensinar um sujeito a atravessar um rio sozinho, nadando ele próprio na correnteza.

A classe do diletantismo inútil, que eu proclamo, coloco e me autodenomino, é uma classe orgulhosa de pessoas que não se preocupam com normas, padrões, significados, fama, coerência, alimentação da alfabetização, engordar da erudição. Mas, ao invés disso, têm um gosto pela bizarrice, psicose, neurose, espontaneidade, automatismo, emocionalidade. Constitui-se sendo o desmantelamento da pirâmide de Gustav Freytag, baralhando as cartas alfabéticas de Alice Adams, é escrever errado, e se no momento você sentir a necessidade, corrigi-la da maneira que lhe convém.

Obviamente é ser completamente emocional e sentimental, assumir suas loucuras, neologismos como portas para explorar significados íntimos, seus pensamentos triviais, automatismo, seus impulsos emocionais, que rejeita todo tipo de racionalidade e equilíbrio, ridiculariza as normas condicionadas pelas relações da civilização capitalista, mercenária e mercantilista. Conduzindo a contramão apenas através da literatura, ou seja, através da construção de textos literários, fantasiosos, bizarros, sendo o Diletantismo Inútil uma linha literária que, lendo muitas das manifestações do Dadaismo, eu mesmo me coloco. Em síntese, pode-se dizer que é fazer arte, mais uma arte que é muito profundamente espiritual e nada reveladora, o que seria o mesmo que dizer que quando trazida à luz, só se pode ser merda.

Achávamos que estávamos ridicularizando a arte arrogante, hipócrita e extremamente vã que anda com o nariz erguido, achávamos que estávamos destruindo a arte condicionada pelos moldes de uma civilização cada vez mais mercantilista, atacando a arte que tinha o terrível oceano do capitalismo como seu condutor, mas estávamos, paralelamente a tudo isso, assumindo nossas próprias doideiras, com o que eles chamam de muita merda e não de arte. Merda que também chamamos orgulhosamente de merda, porque podemos chamar do que quisermos. Como na verdade não somos como eles, somos o que somos e não precisamos ser reconhecidos como uma nomenclatura que estabelece normas, cordas, condutas para agradar sempre o mesmo público mesquinho e faminto pelas práticas de atos de uma civilização cada vez mais decadente.

HOMO-SYMBOLICOS?

Minha aproximação com o dadaísmo começa sob a influência do meu tutor do ensino médio, embora suas expressões artísticas sejam mais próximas do surrealismo. Assim como minha aproximação com a geografia, embora minha preferência tivesse sido estabelecida, a partir daquele período, em geografia crítica, pela influência também de outro professor, meu professor de geografia. Ambos os momentos aconteceram em 2015 e se estenderam até os últimos anos do ensino médio, para crescer ainda mais dentro de uma eletiva, da qual participei, Espaço Vivo, que seria o mesmo que espaço vivido, e para mim posso dizer que é uma apropriação do espaço, ou seja, a constituição do lugar, lugar simbólico, mesmo porque todo lugar é simbólico, a partir do que simbolizei ao ler João B. F. Mello. Embora eu tivesse a presença da arte surrealista e dadaísta na eletiva, minha mistureba com esses elementos atuaram mais dentro da geografia, onde declaro a variedade da relação com o espaço pelos vários tipos de arquitetura, diversas formas de ler mapas, diferentes formas de revitalizar um lugar, uma coisa fascinante. Um pensamento do lugar nos moldes da simbolização artística, um lugar que é feito em um espaço que tem um significado pessoal, portanto, criativo. Muitas vezes de uma forma dadá ou surreal, ou como for a quem, em um território, o espaço atravessa. Posso dizer que sou mais dadá que acadêmico e por isso, julgo, que acabei fazendo vários trabalhos dadá na universidade, o melhor sobre o título Efemeridade Turística. Onde as normas egocêntricas da comunidade intelectual é ridicularizada, agredida, destruída, como a norma estabelecida pela relação de mostrar hiper domínio de canônicos ou do fundacionismo, expondo algo inusitado, declarando os absurdos que os dados, de uma sociedade neoliberal em decadência, oculta. Ocasionando a incompreensão do leitor pelo efeito-labirinto, satirizando por parafrases, parafrases que servem bem como ready-made, invenção de palavras, ou seja, neologismos, rejeição do equilíbrio intelectual contínuo para haver uma montanha de emoções expressas, associação de palavras, exploração dos significados próprios. E tudo isso sem ferir diretamente as normas da ABNT.

Professores, primeiras influências: https://drive.google.com/file/d/1gz5WjIyBf3-DGY4QY6_Nh3Ya6z7rdYil/view?usp=drivesdk



Nota de edição para o site INUTILE-DILETTANTE:

Informamos aos leitores que os capítulos do livro "PAUTA: algumas coisas" foram alterados por este blogueiro. A versão original desse livro só pode ser encontrada no Wattpad e no INTERPRETAÇÃO HIPOTÉTICA. Infelizmente, a conta do autor no Wattpad foi bloqueada em 19 de maio de 2023 às 10:13, devido a supostas violações das políticas da plataforma. As mensagens divulgadas pelo espaço de expressão foram consideradas contrárias às diretrizes da rede. Por esse motivo, o autor transferiu seus livros para esse blogueiro e para o site INTERPRETAÇÃO HIPOTÉTICA.

A edição realizada por esse blogueiro é intitulada "Luz Reparadora" ou "Replight".

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