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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

PAUTA: algumas coisas

Verduras São Verdadeiros:

Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 14 de janeiro de 2022.


Enquanto minha mente divagava sobre a razão obscura pela qual uma criança, em sua fuga da dor e da solidão, dedicava uma tarde inteira a seguir uma formiga carregando uma folha, meu olhar se fixou na parede. Lá, nas linhas ásperas e tortuosas do concreto, surgiu diante de mim a imagem perturbadora de um tubarão faminto devorando uma baleia morta, suas presas afiadas cravadas na carne inerte. Quem é a criança que segue a formiga? Será que a criança a segue para matá-la? Quem é o tubarão? Quem é a baleia? Quem é quem nessa sinistra dança? No entanto, antes de avistar o tubarão, eu imaginava que a criança havia inadvertidamente caído em um formigueiro, ou fora atraída para encontrar a colônia das pequenas criaturas. Antes mesmo de compreender o perigo de pisar em uma formiga, capaz de desencadear tempestades e inundar cidades, a criança começou a segui-la. Isso significa que o tubarão, mordendo a baleia caída, está destinado à morte em suas mandíbulas? Acredito que não.


Ao olhar novamente, depois de limpar a parede, deparei-me com um dinossauro de olhos estreitos, em uma impressão de movimento para a frente, caminhando ansiosamente com uma jovem garota em suas mãos, que parecia olhar desesperadamente para trás. Mais uma vez, limpei as linhas do concreto, após registrar as imagens que me assaltaram, e agora vi, sem contornos, uma garota morta e nua, que se assemelhava a mim, sendo arrastada para o fundo do oceano por uma sereia. A garota não parecia totalmente morta; talvez viva-morta, mas de qualquer forma, era arrastada contra sua vontade, com as mãos da sereia cobrindo seu nariz e boca, como se roubasse seu último suspiro. Novamente, meu olhar percorreu a parede e encontrei a figura da mula-sem-cabeça sentada como um cão, enquanto um companheiro, em posição elevada, urinava em sua cabeça em chamas. Agora, observando mais de perto, percebi que essa era uma imagem encontrada em um palácio de um faraó, apresentando seu animal de estimação peculiar para Cleópatra, uma obra de arte empolgante. No entanto, agora vejo o faraó morto, semelhante a Tutancâmon. Um tubarão-martelo é adicionado à sereia que tentou levar a garota morta-viva para o fundo do mar, mordendo suas escamas de esmeralda. Perto do faraó enterrado, há um polvo muito alegre desenhado, na verdade, com a mesma forma de muitos outros ao seu redor, formando juntos a imagem de um único polvo, sem expressão. Há um pica-pau e uma águia empoleirados bem na frente de tudo, ambos olhando para o mural com um olhar de pena, como se dissessem: "É sério isso?".


Apesar de tudo, a formiga continua sendo observada pela criança. Por quê? Para estudá-la? Muito bem! Continue estudando! Pois não faltam materialidades fortes para a sua pesquisa.


Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 16 de janeiro de 2022.


Hoje, uma necessidade Lovecraftiana surgiu em mim, levando-me a declarar minhas crenças sobre as conexões fornecidas pelos meus antepassados. Antes de mais nada, permita-me mencionar quem é o deus Odin, ou como seu nome aparece em algumas traduções: Ottin, senhor dos deuses nórdicos. Atrevo-me a dizer que, em algumas ocasiões, seu nome também é mencionado como Otlin. No entanto, em todas as três versões, os sons são os mesmos.


Nessa jornada, há uma pequena intervenção do exército brasileiro, mais precisamente na Segunda Guerra Mundial. Meu avô, servindo nas Forças Expedicionárias Brasileiras (F.E.B.), teve uma letra "t" adicional adicionada ao seu nome. Anteriormente, seu nome soava como "Etinger", um sobrenome que se originou do fruto de um homem que o renegou como bastardo deserdado, embora esse conflito tenha outras razões. No entanto, esse tenente também era filho de uma mulher indígena, Joanna Calixto, que não o rejeitou por ter se casado com uma mulher negra, Olga. Esses são os fatos aos quais pude chegar.


Em muitas ocasiões, meu avô mencionou suas origens italianas, não as negava. Ele falava italiano fluentemente durante a maior parte da vida e não impunha a língua a nenhum de seus filhos. Ele também disse que seu nome era de lá, ou francês. De certa forma, não era mentira. O tenente, meu avô, por ordem do grupo do Marechal Mascarenhas, teve seu nome alterado devido ao seu desempenho na guerra contra o fascismo. Em determinado momento, ele deve ter sentido também as influências da união com tropas francesas ou soldados franceses no mesmo teatro de operações da guerra. Devido à sua personalidade calorosa e sempre brincalhona, ele deve ter se identificado com os italianos, e eles também devem tê-lo reconhecido, algo que só puderam fazer em sua vida após seu casamento e o serviço no exército. Não ocultei suas razões e me considerei, por muito tempo, uma mistura italiana forte.


Na minha infância, por conselho da minha família, eu tinha que dizer, no que hoje entendemos como ensino fundamental, que meu nome era francês, pois somente nessa ocasião me perguntaram se meu nome era alemão. Mesmo quando criança, quando estava na rua, minha família se recusava a responder a perguntas sobre meu nome ser alemão. Segundo eles, não podíamos dizer que era alemão


porque meu avô afirmava que era francês e italiano, e todas as outras histórias foram silenciadas devido a um passado terrível e sombrio associado à verdadeira essência desse nome.


À medida que me tornei adolescente, comecei a investigar a origem do meu nome, pois, do outro lado, já estava claro que eu tinha raízes portuguesas. Meu pai não tinha problemas em contar a história de seus pais e sua ascendência. Ele era claramente fruto da colonização portuguesa na Bahia, era dali que ele vinha. No entanto, ele também tinha raízes afro-brasileiras, e isso ele não negava. A única coisa que me restava fazer era descobrir o que meu avô havia mantido em segredo. Descobri que a origem do seu nome remonta a uma família medieval chamada Etling, que, na minha tradução, posso interpretar como "construtor certo" ou "alguém que constrói algo". Um nome que carrega consigo influências das políticas medievais e dos acordos sociais da época feudalista, e sua confusão com o francês se deve à proximidade da fronteira com a França, de onde o nome teve sua origem. O brasão da família Etling apresenta as cores da bandeira francesa, o que gera um conflito ainda maior. Parece haver uma ligação com as guerras anteriores à franco-prussiana, e isso remonta a um período em que os Etlingers apoiavam a França ou emergiam como influência significativa desse conflito, ou melhor, da nação francesa. Ettlingen, em Karlsruhe, é o nome de sua cidade natal, algo assim.


Essa história parece uma cadeia de negações, de apatia ou até mesmo de coisas mais terríveis. Desde o início, pode estar ligada ao êxodo judeu, ou talvez não. Etlinger, assumindo o brasão de armas com as cores francesas em um período de tensões franco-prussianas, traz consigo algo negado. Consequentemente, houve o êxodo dos próprios Etlingers para os territórios americanos antes da Grande Depressão e durante a Primeira Guerra, o que também está relacionado a algo negado quando, no porto, muitos nomes foram alterados para Stinger, Wattinger, Rottinger, Retinger e várias outras adaptações.


Não há como abraçar completamente o mundo, então tive que me ater às razões do meu avô, um passado terrível marcado pelo racismo, intolerância religiosa e inúmeros preconceitos, incluindo o casamento interétnico. É verdade, "Etin" também faz ecoar o som de "etnicidade", e talvez "Ottin" ecoe o mundo como uma única etnia. No entanto, sou alguém que aprecia sugestões, mesmo vindas de uma máquina, e esta é uma história que está aberta a adaptações por aqueles que têm acesso às melhores fontes para aprimorá-la. Entre todas as versões, optei por ficar com a do meu avô, que afirmava ser francês devido ao seu serviço para a Itália.



Nota de edição para o site INUTILE-DILETTANTE:

Informamos aos leitores que os capítulos do livro "PAUTA: algumas coisas" foram alterados por este blogueiro. A versão original desse livro só pode ser encontrada no Wattpad e no INTERPRETAÇÃO HIPOTÉTICA. Infelizmente, a conta do autor no Wattpad foi bloqueada em 19 de maio de 2023 às 10:13, devido a supostas violações das políticas da plataforma. As mensagens divulgadas pelo espaço de expressão foram consideradas contrárias às diretrizes da rede. Por esse motivo, o autor transferiu seus livros para esse blogueiro e para o site INTERPRETAÇÃO HIPOTÉTICA.

A edição realizada por esse blogueiro é intitulada "Luz Reparadora" ou "Replight".

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