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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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PAUTA: algumas coisas
Chuveiro Demorado:
Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 20 de janeiro de 2022.
"Eu quero você...", sussurrou em meio à escuridão. Seu peito ansiava desesperadamente por aquele enlace proibido, enquanto sua alma faminta clamava pela fusão com a dela. Mas a voz que ecoava era cheia de desesperança, consciente das vastas diferenças que os separavam. Um monge lhe dissera uma vez que somente almas afins poderiam se conectar em uma união transcendental, mas o abismo entre eles parecia intransponível.
"Como poderíamos nos conectar?", indagou com tristeza na voz. "Somos como cão e gato, como água e fogo. Nossa essência é tão oposta que parece impossível encontrar um ponto de convergência."
A esperança lutava para sobreviver naquela escuridão, enquanto a inevitável negação pesava sobre os ombros do amante desiludido. Uma tentativa desesperada de encontrar uma saída, mesmo sabendo que as chances eram mínimas. E, antes que pudesse concluir seu pensamento, foi interrompido, silenciado pelas palavras duras da amada.
"Não me venha com mais justificativas vazias", ela o repreendeu com voz fria e cortante. "Já ouvi todas as desculpas e argumentos que você pode oferecer. Nada disso muda o fato de que eu não quero. Entenda, meu caro, quando digo não, significa não. Não invada meu espaço, não ultrapasse meus limites. Aceite meu não como uma verdade irrefutável."
E assim, ele cessou suas declarações de amor, balançando a cabeça em resignação. Colocou seu chapéu com um gesto lento e partiu em silêncio, deixando para trás os ecos daquela conversa que havia sido interrompida. Uma noite sombria o aguardava, uma noite destinada a celebrações dionisíacas que buscavam apagar a mágoa de um amor não correspondido.
Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 25 de janeiro de 2022.
A escuridão havia se instalado dentro dele. Desde o mês passado, seu corpo tremia incessantemente, uma manifestação física da tormenta que assolava sua mente. Seu destino era selado pelas vozes distantes, murmúrios sinistros que ecoavam implacavelmente, ameaçando-o a cada instante. Seu corpo era um mero receptáculo, abalado por tremores e desfigurado pela ansiedade.
O estresse devorava suas entranhas, consumindo-o como uma fera faminta. As vozes zombavam de sua angústia, rindo em um coro sádico e macabro. Eram vozes que se deleitavam com seu sofrimento, criticando cada ação, minando sua confiança e brincando com suas emoções. Eles eram os algozes de sua sanidade, provocando feridas emocionais que sangravam incessantemente.
Diante desse pesadelo interminável, ele encontrava algum alívio efêmero no cigarro, um escape momentâneo das vozes que o atormentavam. A fumaça envolvia seu ser, obscurecendo temporariamente a realidade distorcida que o cercava. No entanto, mesmo essa pequena chama de conforto era incapaz de iluminar as trevas que o consumiam.
Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 28 de janeiro de 2022.
A vingança o consumia como um fogo voraz. Seu coração transbordava de ódio e rancor, enquanto alimentava uma sede insaciável de retaliação. Ele se deleitava na deformação do seu algoz, orgulhando-se de tê-lo transformado em uma criatura desprezível.
Cada palavra proferida, cada ação tomada tinha um único propósito: atormentar e destruir aquele que havia lhe causado dor. Ele sonhava com o dia em que seu inimigo olharia para o próprio reflexo e testemunharia a monstruosidade que havia se tornado. Desejava que sua alma repugnante encontrasse seu abrigo nas entranhas da feiura e da desolação.
Seus planos eram perversos e maquiavélicos. Amarrou as cordas da vingança ao redor do corpo de seu algoz, fazendo-o arder em chamas autoinfligidas. Queria que ele provasse do amargo sabor de sua própria ruína, consumido pela loucura e pelo desespero. A visão daquele que o havia ferido de maneira irreparável se arrastando no abismo da sua própria destruição era o bálsamo que acalmava sua alma vingativa.
Ele se erguia acima das alturas intocáveis, observando com um misto de prazer e desprezo o desenrolar da tragédia que ele mesmo havia orquestrado. Ria de forma cínica, desfrutando da devastação que consumia seu inimigo. Pois ele sabia que sua existência tinha encontrado um propósito singular: proporcionar a ruína daquele que lhe causara tanto sofrimento. E ele não teria vergonha de dedicar sua vida a essa busca implacável. Era a força motriz que alimentava sua existência, a certeza de que sua vingança se concretizaria, corroendo a alma de seu algoz até a última gota de desespero.
Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 29 de setembro de 2021.
Uma das experiências mais grotescas que tive o desprazer de vivenciar foi ter escrito, em um momento de insanidade, sobre fantasias sexuais envolvendo meu obscuro Hipopótamo. A mente distorcida e imatura que habitava meu ser imaginou cenários repulsivos, que jamais conseguiriam evocar prazer genuíno. Na realidade, meu deleite sempre residiu na contemplação de corpos masculinos, especialmente na representação do arquétipo de "daddy", onde a figura do homem mais velho se mistura com a juventude promíscua. Essas inclinações sombrias se manifest
aram de forma desmedida, e foi com horror que me deparei com as palavras impuras que transbordaram de minha mente.
As vozes ecoaram em minha consciência, reprovando-me com risadas caóticas e desdenhosas. Eles se deleitavam com meu tormento, ridicularizando minha depravação. E, no entanto, mesmo diante desse repúdio, pouco importava a identidade dessas vozes. Eram apenas sombras sem nome, manifestações das minhas próprias inquietações internas.
Se machuquei alguém com minhas palavras obscenas, lamento profundamente. No entanto, é importante lembrar que essas fantasias eram apenas isso, fantasias distorcidas que jamais se concretizariam. São fragmentos de uma mente perturbada que se manifestaram de forma repugnante. Essas palavras não devem ser tomadas como um reflexo de minha verdadeira essência, mas como uma manifestação dos abismos sombrios que existem dentro de mim.
Que fique registrado que não alimento nenhuma intenção de causar danos reais a ninguém. Esses pensamentos tortuosos devem ser compreendidos como os devaneios de uma mente atormentada, perdida em sua própria escuridão. Enquanto lido com o peso dessas palavras, tento encontrar redenção em meio à escuridão que me consome.
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