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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

PAUTA: algumas coisas

Questões de Pauta:


Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 17 de janeiro de 2022.


Era um bebê quando encontrei meu corpo abandonado no gélido abraço da solidão, adotado por pais que o consideraram mais valioso que ouro. Cresci acreditando ser o filho das estrelas, um ser único destinado a grandiosidade. Ao longo dos anos, meu orgulho arrogante se tornou uma bússola para minhas ações insanas, moldando tudo ao meu redor à imagem da minha própria loucura. Angariei milhares de seguidores que me adoravam pela minha suposta grandeza, sabedoria, habilidades e, acima de tudo, pela minha beleza. Um orgulho que se transformou em uma maldição, levando-me a negar a empatia e a compaixão em troca de poder e controle. Meu rosto se contorceu, assumindo a aparência repugnante de um sapo, enquanto minha pele adquiria a textura escamosa de uma serpente.


Liderando meu exército de negacionistas, ordenei o escárnio de uma mendiga que cruzou meu caminho, apenas para ser impedido pela intervenção de meus pais adotivos, que ousaram mostrar compaixão. Foi então que a verdade veio à tona, revelando que a mendiga era, na verdade, a mãe que me abandonou quando bebê, e que eu, em meu desprezo e zombaria, a havia insultado impiedosamente. Meu pai chamou-me para uma revelação tão perturbadora, mas, cego pelo orgulho, neguei seu amor e rejeitei qualquer laço afetivo. Ao fazer isso, neguei também a minha própria humanidade, afundando-me em um lamento profundo.


A maldição do arrogante é vagar pelo mundo em busca de abrigo para sua empatia, procurando desesperadamente um lugar onde ela possa repousar e florescer. "Você sabe andar por debaixo da terra? Pode me dizer se é lá que minha empatia está?", pergunto à tropeira, esperando encontrar respostas nas profundezas da terra. "Você voa acima das copas das árvores mais altas, consegue enxergar o mundo inteiro. Diga-me, consegue ver minha empatia?", questiono ao passarinho, buscando uma visão além do alcance dos meus olhos. "Você vive nas sombras e se esconde do mundo, será que pode me dizer onde está minha empatia?", peço ao esquilo, esperando uma resposta reveladora. Mas as respostas não vêm, apenas o eco dos meus próprios questionamentos, refletindo a ausência da minha capacidade empática.


Lembro-me de um conto de Oscar Wilde chamado "O Filho da Estrela", no qual as questões sobre empatia e conexão são deixadas sem resposta. Fico perdido em meus devaneios, em busca de respostas que parecem escapar ao meu alcance. As vozes dos fantasmas, dos obsessores e dos mortos-vivos, que se apresentam com nomes como Alexandre, Cristiana, Luciana, Erick e Maria, se distanciam, como uma estação de rádio que perde sua nitidez. Minhas observações psicossociais ao longo dos últimos meses revelam uma jornada tumultuada, marcada por tratamentos psiquiátricos, medicações e a busca por entender minhas próprias perturbações emocionais.


No entanto, apesar de todas as adversidades, ainda busco encontrar um lugar de serenidade e paz interior. Meditar, acalmar a mente e abrir espaço para o entretenimento e a arte se tornaram minhas novas buscas. Procuro ouvir os sons ao meu redor, as vozes das pessoas ao meu redor, em um esforço para reconectar-me com a humanidade que tem sido obscurecida pela minha própria arrogância e negação. A jornada continua, e espero encontrar um caminho de redenção e cura, onde a empatia possa florescer novamente.


Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 19 de janeiro de 2022.


Hoje marca o fim do meu tratamento com risperidona, uma medicação que tem ajudado a diminuir as vozes e os sons perturbadores que têm me atormentado. Ainda tenho o haloperidol e o levozine como reserva, caso seja necessário. As vozes continuam a um volume baixo e em uma frequência reduzida. Em breve, começarei o tratamento com um terapeuta do serviço universitário, buscando apoio e orientação para lidar com minhas questões emocionais.


Ao recapitular tudo o que aconteceu desde dezembro de 2021, percebo que minha jornada tem sido marcada por perseguições e sensações de monitoramento constante. Suspeitas de que estava sendo vigiado por fantasmas e entidades sobrenaturais levaram a uma busca incessante por respostas e uma tentativa de compreender as razões por trás dessas experiências perturbadoras. Ao longo do caminho, me deparei com nomes como Alexandre, Cristiana, Luciana, Erick e Maria, que se apresentavam como os protagonistas desses eventos inexplicáveis.


No entanto, com o tempo, as vozes e os sons se tornaram cada vez mais distantes, como se estivessem se dissipando lentamente. Uma sensação de alívio e calma tem tomado conta de mim, à medida que as terapias e medicamentos começam a fazer efeito. Ainda há muito a explorar e compreender, mas sinto que estou no caminho certo para encontrar equilíbrio e paz interior.


Continuarei a registrar minhas observações e reflexões neste diário, na busca por autodescoberta e cura. Cada página preenchida é um passo em direção à compreensão e aceitação de quem sou, com todas as minhas lutas e desafios. A jornada continua, e estou determinado a seguir em frente, buscando a luz que irá dissipar as sombras do meu passado e abrir caminho para um futuro de esperança e serenidade.


Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 7 de março de 2022.


Auto-observações psicossociais particulares dos últimos três meses:


Os problemas sonoros começaram, com o impulso sinistro da culpa, em 11 de dezembro do ano passado. A escuridão abraçou minha mente, levando-me a um precipício sombrio de desespero. Uma queda vertiginosa me levou à beira da loucura, onde a realidade se distorcia em um emaranhado de vozes insidiosas. Fui aprisionado em um cárcere mental, onde a sanidade se esvaía como areia entre os dedos.


No intervalo de 30 de dezembro a 2 de janeiro, fui conduzido a um hospital psiquiátrico, uma fortaleza macabra habitada por almas perdidas e desesperadas. Ali, enfrentei o horror das interações com pessoas cujas mentes eram como labirintos obscuros. Conversações insanas preenchiam o ambiente, ecoando pelos corredores sombrios como um lamento fantasmagórico.


Durante o período mencionado, fui submetido a tratamentos invasivos, uma agulha perfurando minha pele como uma adaga fria. Medicamentos antipsicóticos foram injetados em minhas veias, buscando silenciar as vozes ameaçadoras que ecoavam em minha mente torturada. Clonazepam... talvez esse fosse o nome do veneno que me foi administrado. Mas a lembrança se perde nas brumas do esquecimento, como se minha própria mente tentasse encobrir a terrível verdade.


A partir do dia 2 de janeiro, passei a consumir uma mistura sinistra de remédios, cujos nomes pareciam sussurros sombrios: Haloperidol e Levozine. Essas poções macabras alteravam minha percepção da realidade, lançando-me em um estado de entorpecimento e apatia. E no dia 4 de fevereiro, um novo elixir sombrio foi prescrito: risperidona, o veneno que prometia acalmar as vozes que me atormentavam.


Aos poucos, o zumbido incessante foi enfraquecendo, como uma vela que se consome lentamente na escuridão. Aos poucos, as vozes ameaçadoras foram recuando, tornando-se meros sussurros distantes. A libertação parecia finalmente se aproximar, como uma luz tênue no fim de um túnel sombrio. 


Com a retomada da atividade física, em 23 de fevereiro, minha conexão com o mundo real se fortaleceu. Os sons do mundo ao meu redor se tornaram uma âncora para minha sanidade precária. Os ruídos da rua, o zumbido do ventilador, o murmúrio da televisão... tudo isso se transformou em uma melodia estranha, uma sinfonia macabra que me ajudava a encontrar uma centelha de equilíbrio. A presença das pessoas da minha família se tornou uma bênção, uma âncora para a minha realidade fragmentada. Aos poucos, a solidão sombria foi substituída por momentos de conexão com o mundo ao meu redor.


Mas as cicatrizes permanecem, profundas e dolorosas. Os relatos das minhas batalhas interiores não mais mancham as paredes frias do Wattpad, mas encontram refúgio em um perfil bloqueado no Twitter. Ali, em meio à escuridão virtual, posso expressar meus pensamentos e emoções mais sombrios, como se estivesse compartilhando com um mundo obscuro que me abraça em seus braços perversos. Escrever e expressar essas palavras torturadas parecem ser minha única salvação, uma válvula de escape em um mundo de trevas.


Desde 11 de outubro de 2021 até 1 de março deste ano, minhas confissões mais neuróticas foram pregadas na parede fria do Wattpad. Palavras insanas dançaram nas linhas tortuosas, revelando a escuridão que habitava minha alma. Uma vida marcada pela suspeita de perseguição e vigilância, uma luta incessante contra demônios invisíveis. 


Agora, as vozes distantes parecem perder sua urgência, como se a escuridão que as alimentava estivesse se dissipando. Os perfis bloqueados se tornaram fortalezas abandonadas, ecoando apenas com ecos distantes do meu tormento passado. A frequência dessas páginas sombrias diminuiu, como se meu próprio desespero perdesse seu poder de atrair uma audiência sinistra. A importância que uma vez atribuí a essas interações doentias se esvaiu, substituída pelo conselho soturno de um professor de filosofia: "liberte-se dos outros, volte-se para si mesmo". Uma verdade sombria que ecoa em minha mente torturada.


As páginas deste diário continuarão a testemunhar minhas observações, minha jornada pelo labirinto sinistro da minha mente atormentada. Pois mesmo na escuridão mais profunda, ainda há uma esperança tênue, um fio de luz que se estende além das sombras. Mas as cicatrizes permanecem, profundas e dolorosas, lembrando-me de que o passado nunca pode ser totalmente apagado. Resta-me enfrentar o futuro com coragem, buscando o equilíbrio entre a luz e a escuridão que habitam dentro de mim.


Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 08 de abril de 2022.


Hoje chegou ao fim o maldito tratamento com risperidona, um antídoto que apenas amenizou as vozes sinistras que sussurravam em minha mente. Ainda possuo o haloperidol e o levozine como última reserva, um escudo frágil contra as sombras que insistem em me atormentar. Em breve, serei submetido ao tratamento de um terapeuta do serviço universitário, um último recurso desesperado para encontrar alguma forma de redenção em meio a este abismo de loucura em que mergulhei. Realizei uma ligação para me inscrever na lista de espera, uma jornada obscura em busca de uma salvação incerta.


Recapitulando os eventos que me trouxeram a esse precipício de insanidade, foi no dia 9 de dezembro que as vozes começaram a invadir minha existência. Um coro nefasto de cinco ou seis indivíduos, cuja origem permaneceu oculta em um véu de mistério. Suspeitei que essas vozes emanavam de algum tipo de monitoramento via satélite, uma vigilância implacável imposta por uma entidade desconhecida. Cheguei até mesmo a acreditar que meu antigo inimigo, minha sombra pessoal, estava agora me perseguindo com uma vingança sinistra, motivada por minhas palavras cruéis dirigidas a ela no obscuro labirinto virtual do Instagram. Essa queixa pessoal parecia ter convocado um grupo de Hipopótamos, conectados à página chamada WWW, formando uma Patrulha da Iminência. Uma tropa formada pelos mais obscuros seguidores, que tomaram minhas quinze palavras como uma ameaça grave e intolerável, dando início a uma batalha sombria que durou 350 dias, uma guerra de perseguição implacável, onde cada movimento meu era monitorado através dos olhos perversos do satélite.


Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 30 de março de 2022.


Após um encontro perturbador com minha sombra interior, me senti compelido a confrontar as causas de minhas perturbações emocionais. Em um esforço desesperado para expor minha angústia, culpa e vergonha, declarei-me culpado por ter escrito as palavras malditas que ecoaram em minha mente atormentada. Numa página obscura chamada WWW, compartilhei o que me corroía por dentro, uma verdade sombria e repulsiva que assumia a forma de uma imagem grotesca. Essa exposição dolorosa foi minha tentativa desesperada de libertar-me das correntes que aprisionavam minha alma.


Segundo a minha sombra, não posso permitir que ninguém silencie minha voz, pois a expressão é minha única salvação. Por isso, confesso meu arrependimento por ter me manifestado naquele obscuro recanto virtual, exatamente no dia 27 de agosto de 2020, quando as trevas se ergueram e engoliram minha mente inocente.


Para ter acesso à imagem que simboliza minha vergonha e repressão expostas, sou compelido a gritar as palavras sagradas "NANANANA-NAAA, MOTOMOTO". A imagem 1, como uma maldição visual, revela minha verdadeira face, mergulhada na escuridão insondável. "He lieth, for his name is Shame", um lema sinistro que ecoa na minha mente como uma condenação eterna.


Essas quinze palavras malditas, registradas na imagem 1, desencadearam uma sequência de eventos macabros. Após testemunhar a resposta da página, uma imagem distorcida de Gestalt, entrei em contato com o dono desse reino sombrio. Eu disse a ele que admirava a correlação e que, se ele estivesse em meu lugar, teria feito o mesmo, visitando incessantemente o perfil obscuro. Talvez tenha sido esse o gatilho para ele dizer: "divide-a comigo...". E assim, começamos a escrever sobre a formação de uma bruxa, uma entidade que emergiu das profundezas do meu ser. Essa obsessão se intensificou com o relato de um sonho perturbador, onde um brinquedo inocente se transformou em uma bruxa demoníaca. Mas isso não foi o suficiente. Eu ousei comparar o perfil obscuro com o repugnante Xvideos, uma analogia tão nojenta quanto tudo o que o anonimato pode revelar de repulsivo, como testemunhei no aplicativo Buzzr. Minhas palavras mergulharam nas profundezas da obscenidade, revelando as fantasias sexuais mais sombrias e silenciando as idealizações afetivas. Como uma Emenda Labouchère distorcida e pervertida, me tornei meu próprio algoz, aprisionado por meus próprios desejos perversos.


Lamento profundamente a tragédia atormentadora que se desenrolou diante de meus olhos. As palavras que proferi e as imagens que evocaram representam um abismo de desespero e depravação. Acredito que tenha expressado de forma terrível minhas fantasias mais obscuras, enquanto sufocava minhas aspirações afetivas mais profundas. Agora, sou apenas um joguete nas mãos do destino, manipulado por forças que ultrapassam minha compreensão.

Acredito ter expressado muito mal minhas fantasias sexuais e calado o suficiente minhas idealizações afetivas, como uma Emenda Labouchère atuando em si mesmo



Nota de edição para o site INUTILE-DILETTANTE:

Informamos aos leitores que os capítulos do livro "PAUTA: algumas coisas" foram alterados por este blogueiro. A versão original desse livro só pode ser encontrada no Wattpad e no INTERPRETAÇÃO HIPOTÉTICA. Infelizmente, a conta do autor no Wattpad foi bloqueada em 19 de maio de 2023 às 10:13, devido a supostas violações das políticas da plataforma. As mensagens divulgadas pelo espaço de expressão foram consideradas contrárias às diretrizes da rede. Por esse motivo, o autor transferiu seus livros para esse blogueiro e para o site INTERPRETAÇÃO HIPOTÉTICA.

A edição realizada por esse blogueiro é intitulada "Luz Reparadora" ou "Replight".

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