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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

O cachimbo e o cão

Desta vez o gordo inutile-dilettante fuma o cachimbo sem arder a ponta da língua e sem queimar o dedos. Enfim, amadureceu... Acende o cachimbo com um maçarico. Degusta o doce tom do tabaco na boca, gosta. Deixa ao lado de sua cadeira de quintal, sobre um banco, uma garrafa d'água e uma barra de chocolate meio amargo. O cão que outrora teve pensamentos terríveis é agora seu companheiro de cachimbada e seu mascote favorito. O gordo ama o cão, como o cão ama toma sua atenção. No ato pipeante o cachorro tenta roubar sua barra de chocolate, mas o pançudo lerdo logo repara e faz uns resmungo para o bichano. O cão desiste da barra de chocolate, se prende ao tapete das costa da cadeira do gordo, tal que tenta arrancar de baixo da poupança obesa, sem sucesso, o cão é pequeno demais. Pula para o quintal aberto, pega uma pedra, tenta comer as particulas de um chão remoto, desiste. Vai para os pés do gordo e o mesmo o acaricia com os dedos do pé inchado. O cão desiste, já recebeu no dia, do gordo, muitos abraços. E o gordo continua na sua cachimbada. Sente o gosto do tabaco de morango, agora seu favorito. O cão beija as mãos do gordo desleixado, o gordo lhe faz carinho. O cão deita a cabeça nas mãos do velho que continua com suas artes de chaminé ativa. Acendeu o forninho uma vez e manteve a chama acesa com a ferramenta três por um de cachimbo. Sente-se orgulhoso, enquanto o cão sente-se sem atenção. Divide a atenção com o cachimbo e o cachorro. Diz que o cão é a coisa mais linda do mundo, o animal parece entender, se gaba nas mãos do gordo abanando o rabo. Agora, gordo, não têm mais vozes que roubam sua consciência. O gordo termina o tabaco em cinzas. Tudo em um único parágrafo, sua marca escrita. Tenta ascender uma última vez, não mantém aceso e desiste. Fica olhando o quintal com o cão que sobre esse caminha caçando, talvez, alguma barata. O cão faz buracos no quintal e o gordo observa contemplativo. A noite do cachimbo e o cão. O cão é colocado para dentro de casa, o gordo fica sozinho olhando o quintal na madrugada.

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