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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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OS GÍMNICOS E O ASSÉDIO PSÍQUICO
A minha inquirição recente tem dirigido-me à contemplação dos "gímnicos", já que recentemente me envolvi num estudo relacionado a tal temática. Nesse contexto, tentei sistematizar os cânones que governam a corporalidade dos moralistas, esses preceptores que estabelecem as regras e regulamentos que definem um corpo, relegando outros corpos, muito provavelmente o da psicose, à periferia da normatividade. Os "gímnicos" prescrevem minuciosamente as pautas, abrangendo desde os procedimentos de higiene glútea até a etiqueta relacional e a manifestação de gratidão.
Estas regras, em toda a sua meticulosidade, ditam não apenas as condutas externas, mas também os processos internos do pensamento. O cerne do assunto reside na proposição de que há uma única via de pensamento, fundamentada em uma linguagem culta e europeiaestadunidense. Contudo, não posso evitar a observação de que os europeus, em sua maioria, não apreciam os rituais de purificação aquática, e os americanos frequentemente demonstram inadequações nas práticas de asseio posterior. No entanto, tais discordâncias não importam, pois os "gímnicos" continuam a prescrever os seus cânones para manterem-se alinhados com a sua câmara de eco autogerada.
O cerne da questão repousa na multiplicidade de formas de banhar-se e nas diversas possibilidades de pensamento. Julgar uma dessas práticas como a única correta e as demais como incorretas é uma atitude inadequada. Por mais que exista uma sugestão quanto à maneira apropriada de higienizar-se, não podemos impor a alguém a nossa visão de correção. Neste ponto, emerge a problemática do assédio psíquico, que, por sua vez, pode ser interpretado como um atentado à diversidade cultural e muito além disso, quando intervenções são realizadas, pressionando um grupo a abraçar os padrões alheios como legítimos, isso se assemelharia a um etnocídio ou até mesmo um homicídio cultural.
Este princípio, de respeito e reconhecimento da cultura do outro, é inculcado nas mentes das crianças ao enfatizarmos que cada indivíduo possui o seu próprio modo de higienização, e não devemos rotular tais métodos como incorretos, uma vez que são intrínsecos às suas respectivas culturas. Uma ilustração desse princípio pode ser encontrada na Índia, onde o Kumbh Mela testemunha indivíduos banhando-se nas águas turvas, acreditando que serão agraciados com benesses divinas, o que, apesar de incomum, não pode ser classificado como errôneo, dado o caráter cultural do ato.
Os "gímnicos" intervem no tocante dos hábitos mais particulares, como a preferência por uso excessivo de papel higiênico em contraposição à higienização através do banho, ou mesmo o emprego excessivo e repetido de expressões de cortesia, como "por favor," "obrigado" e "com licença," esse comportamento é denominado hipercortesia verbal.
Refletir sobre os "gímnicos" representa uma tarefa hercúlea, haja vista que eles não subsistem como entidades objetivas, sendo, na verdade, uma abstração, quiçá um delírio, uma vez que quando me refiro aos "gímnicos," estou, de fato, aludindo aos ditames das vozes que assaltam minha consciência. Invariavelmente, essas entidades auditivas me agridem com injúrias e diretrizes acerca da higiene corporal, intimidade genital e conduta ética e intelectual.
Neste âmbito, surjo com a conjectura de que, sob a psicose, jaz uma essência de verdade; possivelmente, a humanidade é intrinsecamente orientada a tal comportamento. Pondero se é lícito promovermos um código de conduta correto em relação às atitudes e pensamentos alheios, uma vez que essa seria uma manifestação benéfica da convivência. Com frequência, utilizamos máscaras sociais para ocultar nossa verdadeira natureza, com o intuito de minimizar o atrito interpessoal. Seria, então, prudente prescrever o modo adequado de pensar e comportar-se em relação aos outros? Essa abordagem é um expediente salutar para a vida em sociedade; no entanto, devemos, concomitantemente, abster-nos de impor a nossa perspectiva aos demais.
Em virtude disso, adoto a escrita como meio de reflexão e autoconhecimento. Semelhantemente, com relação a Lovecraft, não podemos reverter a sua inclinação racista, posto que isso constitui parte integrante do seu legado cultural. Assim, a opção mais sensata é a não vinculação.
Neste panorama, evito efusivamente engajar-me no embate, tal qual o episódio onírico no qual defeco publicamente, alheio às reprovações de terceiros, sem manifestar preocupação com o entorno. Quando discutimos cultura, adentramos um terreno minado, o qual se torna ainda mais labiríntico quando mergulhamos na esfera das eticidades, uma dimensão que se revela peculiar a cada indivíduo. O cerne da problemática recai sobre as práticas de assédio, uma vez que quando estas transpassam o limite da identidade, personalidade, ego e aparelho psíquico, culminam em repressão, configurando, assim, o assédio psíquico e o assédio cultural, ambos subsumidos sob o guarda-chuva do assédio moral e psicológico, embora careçam de consideração isolada e elaboração teórica específica.
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