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"Bellum omnium contra omnes – etiamsi omnes, ego non.". Este blogueiro é dirigido aos escritos iliterários. Aqui este autor expõe seus registros cognitivos e distorções cognitivas.
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O pescador
Ele se lembrou de sua última vida, passada pescando precariamente longe da baía de uma cidade portuária empobrecida. Com essa lembrança, veio sua mudança de hábitos, de acordo com os comportamentos do passado que agora o assombravam.
Ele tomava banho raramente, não o fazia como antes. Ele escovava os dentes de vez em quando, praticamente não escovava. Parecia estar no estado psicótico de um aparente velho bêbado que ouvia as vozes de sereias e tritões em alto mar, mas nunca ia na direção das vozes, sempre que as ouvia, dirigia o barco ou seu comportamento para outro lugar, era seu sinal de alerta.
Uma vez uma mulher lhe deu mole, mas foi em sua outra vida, e isso foi motivo para ele, naquela vida, tomar um banho e trocar de roupa. Ele pegou um pouco de sabão de coco barato tijolão do chuveiro e esfregou-os por todo o corpo, braços, barriga, peito, bunda, pernas, os pelos do saco e do pênis pequeno, embora não tivesse limpado adequadamente as partes ensebadas da cabeça menor. Ele esfregou suas partes íntimas até que tivesse espuma suficiente ao longo dos longos tufos de cabelo bárbaro, grosso e preto, nos tons do cabelo que ele mal tinha, herdado de seu pai careca que o abandonou, deixando-o como o trabalho bagunçado de uma mãe solteira e trabalhadora.
Depois do banho, ele não se enxugava, ia ao vaso do velho barco, que fedia a cachorro molhado, peixe e mofo, já que ele tinha um grande amigo canino que às vezes o molestava e o dócil cão não ganhava nada com isso, a não ser uma forma de pedir mais carinho em sua "barriga".
Ele foi rude, cagou no vaso sanitário e limpou o cu superficialmente com pedaços de jornal que pegou de uma lixeira, como quando se deixa merda no cu, que em partículas desce com a secreção de merda para os pelos do saco, e é por isso que ele se esfregou tanto, para tirar os pedaços de merda do toco e do seu velho pau mole que não resistia mais a nada.
Ele tinha o hábito de armar uma rede no convés frontal do barco e ficar deitado fumando um cachimbo que cheirava a tabaco barato. Ele era barrigudo, gordo e inchado. E cheirava a mofo, suor e peixe. Suas roupas tinham o mesmo cheiro e a mesma aparência de todas as outras, e não variavam muito de uma para outra.
Tudo ali girava em torno da mesma atmosfera pobre e louca. Ele achava que as vozes das sereias que ele ouvia, ouvia porque elas o amavam, mas viviam com os tritões que usavam e abusavam delas sazonalmente, ele entendia o dever das sereias para com os reis dos mares. Mas, acima de tudo, ele achava que era o deus do oceano ou o filho de Poseidon e percebeu que as sereias deveriam honrá-lo, então concluiu que elas não o amavam de fato, apenas o cortejavam porque ele era um semideus, intocável, imaculado. Ele gostava quando as sereias gemiam enquanto transavam com os tritões.
Morreu sem saber como penetrar na vagina de qualquer mulher que poderia ter sido e deixou para trás a reputação de um pescador louco que ouvia as vozes das sereias, assim como seu legado de ser sujo e nojento e seu trabalho árduo foram esquecidos e os dias em que ele superou todas as vozes e todas as adversidades da maré o tornaram nada. E tudo isso o homem nojento agora lembrava.
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