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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

Considerações sobre o pensar de Samantha B.

No ano passado, deparei-me com uma frase de Samantha B., uma poetiza que é uma tempestade caótica — como ela própria se descreve. A frase dizia "pensa que pensa", sugerindo quatro formas de a interpretar. São elas a reflexão superficial, a presunção, a ironia e, na melhor das hipóteses, a autoconsciência. Conhecendo a artista, eu diria que ela está sendo irónica, mas todas as instâncias de interpretação dizem algo em comum, que há uma forma definida e correta de pensar que não é arranhar a superfície de um pensamento ou ideia que não se aprofunda na reflexão, ou pode sugerir alguém arrogante que está a pensar que pensa profundamente, mas na realidade não está a considerar de forma crítica ou completa. No sentido em que penso que ela quis dizer que alguém se engana a si próprio ao pensar que está realmente pensando, mas está apenas a repetir ideais sem os questionar. Num contexto mais agradável, indica que alguém está consciente dos seus próprios processos mentais e está a refletir sobre a sua própria capacidade de pensamento. Veja-se que existe sempre a reflexão superficial, acrítica, insuficiente, repetição sem questionamento, o que levanta a questão: Será que a maioria das pessoas pensa de forma profunda, crítica, completa e única/singular/raro? Ou é mais comum este tipo de pensamento "artificial", um looping em busca de uma revelação que o interrompa?


Isso me faz pensar muitas coisas, como "o que seria um pensamento profundo?", "qual é o método crítico do pensamento?", "é possível um pensamento completo?". E o contrário de repetir sem questionar é desistir sem questionar, ou então questionar pouco, é possível haver com frequência um pensamento raro? Me diga suas considerações sobre essa reflexão. 

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