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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

PAUTA: bloco de notas

 

César terá o que exige César

Escrito original, parte de uma folha de um diário, redigido em 17 de outubro de 2021.

Um racismo digital se faz quando um grupo de brancos de classe média alta ou simplesmente de classe média - também pode haver entre eles a classe alta e sujeitos com traços árabes - se mobilizam para silenciar, estacionar, tirar o raciocínio de um artista negro, ativista, estudante. O movimento é mais absurdo do que parece. A sua intenção é fazer com que o jovem alvo dos seus ataques perca a noção da sua própria identidade, suas opções de ação, seus mecanismos rápidos, capacidade cognitiva, sua autoconfiança, seu sentimento de competência, utilidade, sua autoestima, sua afetuosidade, seu auto julgamento moral, a confiança em seu próprio caráter, para que se submeta à classificação de delinquente ou/e preverso.

Qualquer movimento, quer denunciando ou substancializando o nosso discurso - como farão com este texto e todos que estão aqui, pois isso tem sido para eles como está no tronco às chicotadas -, tem uma disposição racista e nazi-fascista por detrás da cortina. Os colegas pretos da periferia, ou dos bairros que comunidades brancas classificam como risco, que têm páginas de conteúdo, blogs, canais youtube, pequenas empresas, estudos, livros escritos e cursos em linha, já devem ter vivenciado o ódio secular branco alguma vez. Não procurem outras explicações, porque a única certeza é que isso é racismo.

Ninguém quer silenciar os grandes negócios, estacionar os grandes negócios, e tirar o pensamento, a identidade, e a liberdade do monopólio branco, certo? Portanto, se um branco racista pratica racismo durante alguma hora, ele pede desculpa e diz que está aberto à aprendizagem. Mas se um jovem negro dos subúrbios escreve algo com passagens que eles dizem estar equivocadas ou que o envergonham, bem, então ele não pode aprender nada, porque, de acordo com os brancos, um jovem negro pobre não tem capacidade para aprender absolutamente nada, está aberto à aprendizagem não é uma opção, até porque parece não haver abertura (Alguém pode me ajudar a entender e ler Bauman? Não, foi a resposta), apenas há abertura para reproduzir e produzir seus próprios erros como um deliquente selvagem. Por isso, eles pálidos dizem, que o preto deve ser discriminado e perseguido pelo que escreve.

A prova de sua incapacidade intelectual e sua disposição para não aprender nada, segundo a sociedade branca, se ver pela pobre linha de entendimentos, articulações, linguagem, distorcida escrita que nós, negros de classe baixa, possamos empregar. Na prosa um dos maiores alvos dessa gente branca se faz quando um negro usa do neologismo no seu texto, quais depois servem para piadas e produções de memes, como tudo e qualquer coisa em sua prosa. Com isso, esse grupo branco, busca dizer que o letramento, erudição, a produção de prosas de qualquer gênero é exclusiva deles.

Delimitando-nos a uma classificação de mal caráter, como se a única forma de sermos algo melhor fosse sendo mortos. O que nos leva a outro ponto, porque, pergunto-me, até que ponto a sociedade branca não alimenta e conduz o suicídio e homicídio de negros em vulnerabilidade social?

Outro pondo também é que a sociedade branca racista não faz questão de entender o que é a vulnerabilidade social de um grupo e nem de entender até que ponto eles não estão reforçando essa vulnerabilidade perseguindo e criticando ferozmente alguém. Obviamente críticas sempre haverão, mas criticar grupos vulneráveis ou pessoas em vulnerabilidade é o mesmo que fazer briga com alguém sem recursos sendo alguém com muito mais recursos.

Deve ser por isso que ainda não tivemos o impeachment de Bolsonaro, porque se ele fosse negro, teria certamente deixado a presidência no terceiro mês com uma jogada absurda e uma acusação manqueira. Vocês, brancos que afirmam ser não-racistas, sejamos francos, a vossa MAKE-UP NUNCA SERÁ SUFFICIENTE.

Eles podem agir indiretamente, podem criar vários bots e falsificações, mas uma hora farão o mesmo em uma rua, serão racistas fora da zona covarde que é a Internet, porque essa é a vossa disposição natural. E só nesse momento, alguém acabará por lhe dar um murro na cara. Não apenas porque é racista, mas porque é demasiadamente superficial, imaturo e insuportável. É apenas uma questão de tempo.

Permiti-me fazer o mesmo que eles me fizeram, fui ao website deles e denunciei-os três vezes, mas não senti que isso fosse suficiente, na verdade, senti-me imaturo. E comecei a achar ainda mais ridículo, quando, com a ajuda de sistemas operacionais, encontrei mais de duzentos relatórios de denuncia das mesmas pessoas, feitos regularmente sobre minhas publicações, que não diziam nada absurdamente indecente. Depois comecei a pensar que um ódio terrível servia como a energia destas pessoas e o tipo de ódio que encontrei deles foi o racismo.

Elas podem mentir a qualquer pessoa, mas não podem mentir a si próprias. O mundo está caminhando para uma intolerância muito maior com os racistas, o tempo está a colocá-los na obsolescência. As tentativas de cortar as pessoas e a população negra falhará, o chicote não fará mais efeito. O aumento da disparidade social leva ao aumento da violência. Uma violência que será levada a cabo por pessoas em zona de vulnerabilidade social e que estão de saco cheio. A violência será disparada contra o grupo que varre os desprezíveis e malditos - como me chamaram - para os lados. Continuaremos a ser o alvo do vosso sistema branco, da vossa legislação desbotada e da vossa tecnologia pálida, mas o alvo da brutalidade da natureza ser-vos-á sempre a vós. A natureza protesta contra aqueles que a destroem, mas protesta não só por destruí-la, mas também por destruir com chicotadas, ardentes aos cortes pela "obediência", os mais necessitados da sociedade humana.

Portanto, grita a natureza para que continuem a alimentar suficientemente a vossa infantilidade e futilidade, pois dessa forma alimentam igualmente a disparidade, continuem a rir-se do pauperismo de suas produções, continue a fazer o que nasceu aprendendo a fazer, quem está a alimentar a violência que está contida no conteúdo do seu jornal sensacionalista é você – aqui me refiro ao tipo de conteúdo como "Hora do show! Mirella Cunha".

A própria vida é ferro e fogo. E isto, violência e guerra de classes, é o efeito da seu ideario de direita fútil e infantil. E diga que estes discursos estão errados, estão generalizados, para que não se sinta receoso dos efeitos das suas ações. Não, não é karma, não existe tal coisa como karma, isso é história das massas. Massas que você despreza todos os dias e deseja firmemente a sua morte e minha morte, certamente de outros de diversas etnias. Eu espero que você consiga o que tanto almeja e espero que você assista minha tão almejada aniquilação para sustentar suas gargalhadas. Pois, digo à você, César terá o que exigir César.

Imagem de capa da Artsy, disponível em: https://www.instagram.com/p/CU8X7c0gA0R/?utm_medium=copy_link acesso 17 de out. 2021.

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