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Destaques

DIÁLOGO IV

Disse o velho gordo mal cabendo na sua cadeira de bar, bebendo um coquitel de bagas e fumando um cachimbo com fumo de chocolate, e tossindo, porque não tem o hábito de fumar tão pouco de beber: - Ser um pobre estudante é horrível. A tecnologia não parece compreendê-lo, e o que deveria ser algo que o tornasse mais fácil acaba por o reter. A falha em escrever bate-me constantemente na mão e torna difícil produzir um raciocínio porque me falta um aparelho de ar condicionado. Vamos lá...  Será que a obra ou o autor vale mais?  Disse eloquente e bêbado: - Podemos dizer que o personagem de ficção passa por um controlo considerável e provável que o escritor, no seu lugar de poder, exerce sobre isto e sobre o protagonista sua influência. Haverá uma saída para isto, minha querida? Forster, a minha má influência, dá uma forma para que isto seja resolvido pela ligação entre personagens planas e redondas, em que o autor não exerce o seu poder. Por isso, interpreto-o como sendo pouco rígid...

Arquétipo do acadêmico

 Quando eu morrer, vou me tornar um arquétipo da família Stinger ou Rottinger, como minha mãe, que será um arquétipo da mãe divertida – se não acabar como maluca. Uma subcategoria do arquétipo do jovem que não sai para nada, não usa drogas, não faz sexo, não faz amigos, apenas fica trancado no quarto lendo livros e criando teorias e conceitos abstratos, como lugar fortaleza, lugar mecanizado, corpo psíquico, assédio psíquico e plastticismo-apático. Não que seja ruim ser um pioneiro dessas ideias, mas elas são muito futuristas e não muito tangíveis. Para acontecer, uma delas teria que primeiro obstruir alguma lei, alguma moralidade ou alguma ética. Mas no livro da minha família eu serei um arquétipo do que mais critiquei este ano, serei o próprio gímnico acadêmico. Não serei o arquétipo do escritor, como eu gostaria, ou do agênero ou assexual, serei o arquétipo do acadêmico. E eu não gosto particularmente da parte que sobrevive da "família", dos meus descendentes, é uma parte paranoica que se sente superior aos outros e gosta de julgar e excluir. Infelizmente, não deixei nenhum herdeiro cultural até agora e não prevejo que isso seja possível, especialmente de minha parte. Se eu tivesse dinheiro, eu me certificaria de que minha parte cultural da família não acabasse em extinção. As únicas coisas que deixo para trás são meus registros cognitivos. 

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